TRAJETÓRIA DE UM VENCEDOR VENCIDO

Meu nome é Joaquim de… Esqueçam o sobrenome. Brasileiro. Classe média. Muito culto.

Fui fazer meu Doutorado de Economia em Harvard com o intuito de escrever uma tese crítica à teoria econômica dominante. Com peso na consciência — e, no nosso mundo de vaidades e aparências, a confissão de um fracasso merece elogio –, confesso que não consegui. Os professores, mesmo com as melhores intenções, não conseguiram me auxiliar, não porque não quisessem, mas porque eu mesmo — novamente, confesso — não fui formado suficientemente para poder reconstituir minhas ideias.

Não me queixo. Acabei me rendendo a uma tarefa menor: datar ideias econômicas dominantes a respeito de alguma realidade brasileira. Ao invés de escrever minha tese inovadora, escrevi então qualquer coisa a respeito da hiperinflação nacional.

Numa espécie de fracasso intelectual e moral, me decidi: já que não consegui ser o pensador que eu tanto quis ser, pelo menos não serei pobre. Voltarei ao Brasil, onde farei carreira no Banco Central, e dali passarei talvez para um banco privado, onde serei ainda mais rico, porque a classe média no Brasil é precária.

Já que não consegui ser um Homem, serei só rico, conduzirei durante anos, junto aos meus colegas fracassados e ricos, as políticas de Estado nacional.

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