Mais Augusto de Campos, menos Ferreira Irregular; mais Zé Celso, menos $ilvio $antos…

Há 1 ano, eu escrevia: MAIS AUGUSTO DE CAMPOS, MENOS FERREIRA IRREGULAR. Hoje escrevo: MAIS ZÉ CELSO, MENOS $ILVIO $ANTOS. Os íntegros não estão nos holofotes!…

Afinal, o que essas brigas de octogenários têm a ver com a gente?!…

Têm tudo a ver. Mais do que individualidades, são símbolos e representam o colapso, os estertores de toda uma geração passada, e um futuro que já se anuncia para todos nós, juventude pulsante, e para as crianças que crescem nele.

$ilvio $antos (86), que enriqueceu com alienação televisiva, entretenimento barato e jogos de azar, quis comprar Zé Celso (80) com 5 milhões para que ele desistisse do terreno anexo do Teatro Oficina e o deixasse construir torres e shopping centers, mas Zé Celso se indignou, porque tem a alma num projeto maior, urbanístico e cultural, para além de si mesmo (tudo indica, no entanto, que o dono do SBT, com a provável ajuda de Alckmin, que depois cobrará apoio em 2018, vai conseguir construir suas torres na São Paulo sufocante, ainda que hajam campanhas contrárias); Ferreira Gullar (morreu com 86 ano passado), poeta de momentos inspirados e importância seminal, tendo se revelado extremamente suspeito (Aécio, nas suas colunas ridículas da Folha, seria a “melhor escolha para o Brasil”), seletivo e conservador nos seus últimos anos, na querela política e estética derradeira com Augusto de Campos (86) chegou a se gabar de receber não sei quantos mil por ter entrado na conservadora e mumificada Academia Brasileira de Letras (onde, como escreveu Augusto, chuchava seu chá com Sarney, FHC, Marco Maciel e “até um golpista da TV Globo”), dizendo que ele seria carta fora do baralho, como se o concretista essencialmente experimental realmente fosse querer alguma coisa com a instituição canônica, respondendo: NÃO ME VENDO / NÃO SE VENDA / NÃO SE VENDE.

O que esses signos nos dizem?…

De um lado, lucidez, sabedoria e integridade. Do outro…

Zé Celso ou Augusto de Campos são como os resquícios finais de um belo esmalte de unha que se desgasta e revela as garras terríveis do nosso tempo autoritário e prepotente de conservadorismo e capitalismo tardio, já sem qualquer integridade, vergonha ou sonho, onde a meta máxima e única e última é o dinheiro e o lucro cego, mesmo quando já se está rico e morrendo, com o pé na cova…

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