ZEITGEIST ELEITORAL

Estas eleições – chegadas daqui a pouco mais de dois meses, mais ou menos – serão emoção até o último momento. Está tudo incerto para todos. De qualquer forma, o Brasil já não é e nem será mais o mesmo.

Me entristece ver que a esquerda, do ponto de vista da glória eleitoral mais certa, dependa, até o momento, de Lula – um preso (injustamente ou não, mas, ainda assim, um preso: preso político e político preso.) Ele é o único político brasileiro que enche a Paulista e os Arcos da Lapa, o Nordeste e o Norte, é o único que pode levantar uma multidão progressista contra a hidrofobia escancarada e o atraso intelectual e social da direita e da extrema direita…

Boulos, Manuela e Ciro Gomes não fazem isto. Nem a incógnita Marina o faz. O populismo extremista e mil vezes estúpido de Bozoasno (com todo respeito aos asnos) é espantoso e está aí! Diariamente, lemos os comentários terríveis de seus idólatras, legitimados agora por sua existência, nas redes sociais (eu mesmo, estou exposto a eles, por meus vídeos e escritos), vivem (inacreditavelmente) entre nós, no mesmo país e sociedade diversas, por mais que queiram viver numa bolha, enquanto o resto é barbárie.

Às vezes, os subestimo, até porque a campanha já começa a se profissionalizar e agora é que são elas; às vezes, tenho os olhos bem abertos, porque há representantes seus no Congresso.

Mas o neoliberalismo à direita já se move contra este cãodidato estúpido. A imprensa e a mídia tucanas já começam a atacá-lo para que Alckmin – sujeito que, em mais ou menos duas décadas no Governo do Estado de São Paulo, não produziu nada de transformador e até se envolveu (como todo o alto escalão do PSDB) em escândalos omitidos e encobertos, para não citarmos o uso reacionário e autoritário da polícia militar -, aliado ao poderoso centrão corrupto, puramente fisiológico e hegemônico, ganhe força.

“É preciso unir a esquerda”, dizem… Acharia muito interessante uma chapa Fernando Haddad com Ciro Gomes. Por que não? Os egos partidários de ambos os lados tem falado mais alto até o momento. Há, inclusive, colegas meus que, mesmo sendo esquerdistas, detestam os dois. Malgrado certas características realmente equivocadas e várias ressalvas mesmo da minha própria parte (pessoais e políticas), são políticos com projeto nacional criativo, com ideal (coisa rara na política contemporânea), e extremamente inteligentes em quesito econômico e social.

É preciso, portanto, ter os pés no chão diante do zeitgeist que estamos vivendo. É preciso considerar que política não acaba com eleição, isto é, que é possível (e necessário) sempre lutar, exigir e cobrar.

Antes cobrar de um governo à esquerda – e agora mais calejado, sem “centrão”, com a possibilidade de dialogar diretamente com a população – do que resistir e ter que engolir um governo profundamente neoliberal à direita ou mesmo estupidamente direitista-extremo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *