Percepto Santista: vento noroeste, mar, morros

Gostaria de saber melhor se “vento noroeste” é uma expressão comum no resto do país ou, então, se é particularmente caiçara (conforme aponta o importantíssimo site http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0218j.htm, cheio de conteúdos a serem consultados vez ou outra). Deve ser citado ou conhecido país afora, mas corriqueiramente como na Baixada Santista? De qualquer forma, foi ele – sempre aquecido, amplo e ligeiro, batendo janelas ao longe, fazendo rolar objetos lá fora, com cheiro ocre de terra-pó -, entrando agora por esta janela, que me deixou assim, com esta enxaqueca, dor de cabeça e leve tontura e vertigem – isto, sim, o mal estar incômodo propiciado pela chegada e mudança do vento noroeste, é algo bem santista, e não é lenda. Imaginei então um novo conto ou romance em primeira pessoa, meio autobiográfico, o protagonista-narrador prestes a completar a metade de 50 anos (como eu, agora, dia 31), envolto e atingido por este estado e percepto todo, sem contar a paisagem marítima (com seu tapete-jardim, sua orla única) não muito longe daqui e a cerração nevoeira de vez em quando que vela e cobre totalmente os morros que cercam este apartamento: mistério, curvas, sensualidade, Eros, Tânato, bucolismo, tristeza, solidão, desejo, exílio, ilha.

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