TRAUMA E PAVOR DE ESCOLAS

Este ano me restam algumas horas de estágio não remunerado e obrigatório a serem cumpridas em escolas de ensino fundamental e ensino médio para então finalizar meu TCC e finalmente me formar na Licenciatura em Letras. O que não significa um adeus ao mundo acadêmico, porque meu plano se dirige a um Mestrado, quem sabe já no segundo semestre deste ano.

O fato é que tenho um enorme trauma de escolas, não só porque sofri bullying (eu soube superá-los e sempre achei que meus “inimigos” ajudaram-me a vencer a timidez, como o Judas borgiano que trai para salvar Jesus), não só por isto, mas também porque as escolas sempre me foram uma prisão com regras e rotinas e multidões de alunos em manhãs desnecessárias, apesar de eu ter tido boas professoras e ter roubado bons livros de português e literatura – o saldo é positivo…

Hoje esbarrei num vídeo do Derrida dizendo o mesmo e ampliando o seu trauma inclusive a todas as instituições possíveis (https://youtu.be/RKXT1Ts1fyU). Deixado todos os dias pela mãe, chorava muito. “Ainda hoje, quando entro em instituições acadêmicas, em universidades, sempre tenho um tipo de ansiedade.” Tenho o mesmo tipo de sentimento.

Sou independente demais para escolas e instituições ou há também uma dependência no meio destes monstros abstratos?

O fato é que esta obrigação do estágio em salas de aula acende novamente em mim este medo, este pavor, este trauma das escolas, que eu já tinha me livrado quando saí delas e julgava adormecido. O próprio fato de desejar um Mestrado vem da minha vontade de lecionar para ensino superior, onde eu me sentiria mais livre e mais confortável entre adultos ou quase adultos, e evitar o ensino médio e fundamental, cheios de pré-aborrecentes e aborrecentes e professores estressados.

É uma atmosfera, um mundo que me aterroriza. É horrível! Sempre que passo pelas escolas onde estudei em Santos sinto algo de estranho. Não que eu não tivesse tido bons momentos, mas há um cerceamento do indivíduo em todas as instituições e o impacto disto é muito grande quando se é pequeno ou em formação. A imagem dos portões fechados, impedindo que saíssemos… Onde há proibição e lei, há desejo. Logo se vê que as escolas difilcimente criam uma atmosfera de paixão pelo conhecimento e pelo estudo…

Na escola do pré não sinto tanto isto, quando passo por ela; mas foi lá que tive um dos momentos mais constrangedores da minha infância, quando fiz coco nas calças e a professora criou birra de mim, porque minha mãe foi conversar com ela. Dias depois ela inventou uma brincadeira em que se tinha de despejar tinta no papel e quem criasse uma forma qualquer estaria livre para brincar com os brinquedos, porque era sexta-feira, “dia dos brinquedos”. Todos formaram alguma coisa no papel, um animal, um carro, um objeto, mostravam pra ela, e ela liberava. Menos eu. O único. E todos queriam brincar com o Batman. Ela fez de propósito e jamais me esquecerei da cara fria dela. Anos depois eu e minha mãe esbarramos com ela na rua e ela tinha uma filha bobinha.

Tudo isto justifica aquela famosa música do Pink Floyd, onde se sugere que as escolas no geral servem pra moer gente.

Depois, já próximo do ensino médio e no próprio ensino médio, a escola virou uma prisão de verdade. Nunca fui rebelde, mas era independente demais para aquilo. Estudei também em escolas públicas decadentes, superlotadas e mal administradas.

Se um dia eu tiver um filho pensarei bem se devo entregá-lo ou educá-lo em casa. Há toda uma tradição e reivindicação disto, sobretudo na Inglaterra, se não me engano, desde os séculos 18 e 19 ou até antes. A socialização pode se dar de outra forma menos forçada.

Nas faculdades que fiz, em Santos ou em São Paulo, a experiência não melhorou. Tive boas aulas, mas queria liberdade para dominar e comandar e ser autodidata. Daí minha experiência atual em EAD, com possível mestrado na USP ou Unicamp.

Minha única preocupação atual, repito, são estas horas de estágio… Quando eu e minha colega fomos até uma antiga escola na Mooca entregar um projeto que nos fez cumprir 100 horas de estágio, fomos recebidos por uma confusão básica; um aluno com o nariz sangrando e a inspetora repreendendo ele e mais outro. Minha colega de curso, no entanto, cumpriu grande parte das horas ano passado numa outra escola particular e disse que depois que se entra, não se tem tanto problema, ainda mais dependendo da escola e do professor.

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