Resposta / Ecce Homo

1. Tem um pessoal me chamando de “presunçoso”, “pedante”, etc., mas não vão muito longe nesta crítica, porque preferem falar do Fernando do que ter arsenal suficiente para contrargumentar seu pensamento filosófico e obra (sobretudo a obra do pensamento, não necessariamente a de ficção.)

2. Escrever no Facebook, não como mero “usuário”, onde os “posts” se perdem e são do momento, mas como escritor, poeta – E SOBRETUDO COMO FILÓSOFO – é um grande desafio. Minha obra de ficção e poética é mais aceita, querida ou ignorada. Meus textos filosóficos ou de pensamento não. Isso revela muito – não sobre mim, mas sobre os outros: escrever em redes sociais, fazer vídeos, é ter que lidar com toda sorte de ignorantes, alienados, idiotas, superficiais, etc. Não deixarei de fazer isso, no entanto; não por enquanto, porque ao mesmo tempo há exceções na regra, e bons encontros, gente instigante trocando comigo.

3. É terrível! Já chegamos na era em que as pessoas têm preguiça de pensar e debater! Não julgo ninguém: precisamos trabalhar, consumir, pagar aluguel, comer, se vestir, o próprio sistema massacra o cérebro e dá pouco tempo de lazer, e este lazer é gasto com coisas supérfluas – as redes sociais, que são um espaço tão bacana de troca e de intelecto, vira palco para o que há de mais idiota, alienado e superficial, portanto estranham minha escrita (“textão” – não escrevo “textão”, escrevo textos para meu blog e que serão reescritos em livros), estranham meu vocabulário nos vídeos, simplesmente porque se trata de signo novo, estranho dentro do repertório tacanho deles… Todo desprezo é pouco; amo aqueles que pelo menos dizem: “Não entendi, mas quero entender”, quando, na verdade, deveriam dizer: “Quero sentir, me surpreender…”

4. Ao invés de me atacar, revelam apenas a própria pobreza intelectual – quando vêm com uma boa dose de conservadorismo ou, então, mesmo na “esquerda”, patrulha ideológica, então, destilam tudo aquilo que, com Espinosa, com Nietzsche, com Deleuze, estou vacinado: “culpa”, “julgamento”, má consciência”, “inspeção” e todas essas merdas medievais que vieram com as religiões e a política fisgou.

5. Escrevo difícil? Para eles, sim. Mas é como eu falei no meu último vídeo, sobre Esquizofrenia e Corpo sem Órgãos: diante de uma coisa, ou você usa o método psicanalítico (analisar e interpretar), que vem do método dedutivo da filósofo clássica, ou você observa e sente o quanto aquilo te toca, te move, te inspira, o que provoca em você, o que não provoca, qual é o efeito, em qual grau, em qual medida… Mesmo na minha ficção – lembremos da frase da Lygia Fagundes Teless (e que bem poderia ser da Clarice ou da Hilda): “Não quero ser compreendida, quero ser amada…”

6. Os que me elogiam, fazem aulas comigo, debatem comigo, veêm meus vídeos e querem me conhecer, não apenas possuem uma cabeça aberta para tantos conceitos supostamente herméticos, também estão abertos para receber um choque elétrico, ou para que o cano de suas vidas estoure e vaze tudo aquilo de libertário que há nelas, que sejam tocadas notas internas e externas até então escondidas…

7. “Presunçoso”: sou mesmo, e com muito orgulhoso, até mesmo arrogante, uma arrogância muitas vezes nietzschiana, por dois motivos básicos: a) para se fazer qualquer coisa é necessário bastante brio e este brio necessariamente provoca movimentos de afastamento de elementos danosos ao brio; b) todo professor e artista e filósofo precisa encarar sua produção como uma equivalência de força, maior, coletiva, mas que o inclui.

8. “Pedante”: continuarei defendendo uma “alta cultura” para todas as classes, sobretudo hoje em dia, com a Internet, onde podem coexistir todas as classes; uma escrita como a minha, que vem sempre num processo estilístico, muitas vezes (dependendo do tema), uma escrita esquizo e experimental, não tem nada de muito técnico, no sentido pejorativo desta palavra, nada de “pedante” – novamente, isto revela apenas a pobreza intelectual de quem criticou; ao mesmo tempo, observo que tenho uma escrita (e uma fala) que pretende ser total, cheia de referências, que pretende abarcar tudo o que se passou até aqui onde estamos, culturalmente, politicamente, religiosamente, historicamente.

9. Estou mais próximo de um Artaud – inclusive na minha própria vida pessoal, na conduta que levo – do que de um grande erudito intelectual. Uno essas duas coisas. Marilena Chauí com Dercy Gonçalves…

10. Continuarei escrevendo minha Obra sem concessões, poética, de ficção, filosófica, incomodando as velharias e libertando quem se deixa libertar.

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