Luta dos negros, mestiços, mulheres, LGBTs, mercado e financismo: Boticário, Pablo Vittar, Anitta, Paulo Gustavo

Pablo Vittar e Anitta são para mim como o Paulo Gustavo vestido de mulher fazendo propaganda pra Casas Bahia ou pro Banco do Brasil. Tem mais a ver com a apropriação do mercado e do financismo desses regimes semióticos que são a “ordem do dia” do que real luta de classes, luta dos negros, das mulheres e dos LGBTs — não há nada disso nestas figuras; o que conta pra valer é exclusivamente o dinheiro, então negros, ou melhor, mestiços (tenho um outro texto onde falo melhor sobre esta distinção — já que o grosso da população brasileira não é nem branca branca nem negra negra, mas morena e mestiça), morenos, mulheres e LGBTs menos ricos, cujo número é legião, não estão sendo representados nem transformados de fato, não há debates sendo propostos de forma consciente por eles, apenas um uso semiótico cheio de equívocos, superestimado por alguns. Ou seja, é tacanho, criticável, de mal gosto, efêmero, passageiro, ruim, etc. Tenho um exemplo mais concreto: vejamos o exemplo do Boticário: para eles é bem mais vantajoso e nem um pouco arriscado ganhar um “público gay”, pois o “público gay” é grande, tem renda e é consumidor, do que perder alguns clientes, até mesmo porque a parcela conservadora que reclamou e pediu boicote depois do comercial e do produto novo deles não tem nada a ver com o perfil da empresa mesmo… Mas sou justo: o único ponto positivo disto tudo seja talvez o fato de que esta apropriação é mais progressista do que fascista; ou seja, antes isto do que o fascismo preconceituoso de uma parcela da população brasileira, antes isto do que o fundamentalismo da bancada BBB do Congresso…

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