Resumo da ópera política atual

A história é mais ou menos a seguinte: o PT, o partido de esquerda mais duradouro e estruturado do mundo contemporâneo, chegou ao poder com um verdadeiro projeto social de Brasil, tirando esse país do atraso social e subserviência internacional de 500 anos, mas o grande problema foi que alguns petistas acharam que, como o restante da classe política dos outros partidos roubava, nada aconteceria com o PT se ele também roubasse, pois um poderia denunciar o outro.

Só que esses petistas eram os novos ricos recém chegados na roubalheira, enquanto o escalão corrupto do PSDB, PMDB, DEM – só para ficar nos maiores e mais corruptos -, além de serem ricos de berço, também estavam ali há mais tempo, com conhecimento maior da máfia política e com alianças e aparelhamentos midiáticos que, convenhamos, são poderosíssimos, capazes de movimentar e revoltar uma massa inteira.

O PT, com todo aquele traquejo típico do Lula, teve que fazer alianças com esses chefões, caso contrário seu próprio projeto social inovador e urgente não vingaria. O resultado não poderia ser outro: com uma população truculenta e manipulada, Dilma, intelectual sem qualquer talento político profissional, mas uma das poucas pessoas honestas nessa história toda, foi engolida por esse embrulho e o PT desgastou totalmente sua imagem enquanto partido, porque conseguiram movimentar a opinião pública somente contra ele.

Mesmo antes disso, por todos os erros e escândalos comprovados do PT, muitos pularam fora e partidos interessantes foram criados, como o PSOL e a Rede, e mesmo o PT teve de se recriar. A verdade incontestável é que ele foi o único partido que permitiu que as investigações corressem com autonomia, ao contrário de todos os outros, e as gravações de Romero Jucá atestam que o motivo do impeachment não foi outro a não ser frear a Lava Jato para que ela não atingisse os corruptos impunes desses partidos todos.

Com a crise política atual, os lados se tornaram muito mais claros; de um lado, pessoas alienadas e reacionárias e do outro, pessoas que defendem, acima de tudo, a democracia. Seja como for, os tempos são outros, há uma juventude que sabe da complexidade da situação, que não se deixa manipular pela mídia nem pela ideia de um único alvo seletivo, uma juventude ávida por mais mudança social além das já conquistadas e, principalmente, ávida por reforma política. Quem só pensa no próprio bolso não deixará qualquer legado nem levará consigo, quando morrer, qualquer fortuna; mas aqueles que pensam no presente e no futuro do país, esses vencem.

Escrito em 28 de maio, 2016.

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