Jamais me esquecerei da professora do jardim de infância, Gisele, que me humilhou…

Jamais me esquecerei da professora do jardim de infância, Gisele, que me humilhou perante meus colegas de infância por eu ter cagado nas calças. Quantos anos eu tinha? 4? 5? Quando o cheiro subiu, ela mandou todos fazerem fila e verificou as calças de cada um. “Nem se limpar você sabe?” O resto se apagou da minha memória. Minha mãe foi conversar com ela. A professora pegou birra de mim. Jamais me esquecerei, um ou dois dias seguintes, sexta-feira, dia tão esperado, “dia dos brinquedos”, ela pediu que todos despejassem tinta guache num papel sulfite e quem terminasse de formar um animal qualquer, apenas manuseando a folha com as mãos, poderia finalmente ir brincar. Eu e todos os meninos queríamos o Batman! Mas, com pirraça, com raiva, ela não via forma nenhuma no meu desenho. Ela me fez ficar sozinho na mesa, enquanto recortava alguma coisa qualquer, me esnobando de propósito, dizendo que não tinha nenhum animal formado na minha folha. Eu insistia que aquilo era um gato, um elefante, um leão. Só minutos depois ela me liberou, quando o Batman já estava em outras mãos… Por essas coincidências do destino, poucos anos depois nos reencontramos, eu e minha mãe, e ela. Minha mãe fez questão de me mostrar, tão alto e interessante, perante a filha da professora abusiva, tão songamonga…

Tenho outras histórias de bullyng, que conto com certa gratidão, sem vitimismo, porque todos nossos inimigos nos fazem crescer.

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