As variadas formas de escrever e um só problema

Esta é a minha Lettera 32, que ainda funciona. Nietzsche (que, como todos os transformadores, detestava ter de escrever, mas escrevia por vital necessidade) testou as mais modernas máquinas de escrever de seu tempo, largando-as depois para retornar ao bom e velho papel com bico de pena e tinta; nesta experiência, escreveu numa carta que o meio com o qual escrevemos influencia a escrita. Talvez por isto, a este ponto angustiante e sem saída do meu romance, eu tenha testado todas as formas possíveis, papel e caneta que não acompanham meu pensamento veloz, computador que dispersa e distrai, máquina de escrever que cria obstáculos e frustrações, inclusive escrever na areia, onde o mar apaga para sempre, sem me dar conta (acabo de perceber só agora) que a crise, na realidade, advém da página em branco (que horrorizava Rosas e Mallarmés e todos os mestres), não dos meios…

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