BREVE COMENTÁRIO SOBRE A OLIGARQUIA BRASILEIRA

John Gledson, grande estudioso inglês de Machado de Assis e brasilianista, já observava (em “Machado de Assis: ficção e história”), assim como muitos outros — Roberto Schwarz, por exemplo –, que a República brasileira nasce da oligarquia, o que mostra que a mudança de regime (do Império, da Monarquia para a República, e arrisco até mesmo a dizer que antes também, da Colônica portuguesa para a Independência, e muito depois, das ditaduras para os períodos ditos democráticos) será, simplesmente, uma mudança de rótulo, tudo mudança de rótulo: antes e depois, a oligarquia é que governa.

Por quê? Porque é ela mesma, e não outra camada da população, que vai se infiltrando nos diferentes regimes, sucessivamente. Não vamos lembrar períodos nem citar nomes nem sobrenomes, desperdício de tempo e espaço — tudo avatar, com um ou outro benefício coletivo… A Independência foi importantíssima, o dinamismo da República também, mas eis aí uma verdade nacional incômoda! O que deve ser criticado é a oligarquia. Uma oligarquia corrupta, de tendência conservadora, sempre preparada para o despotismo, com mãos sujas de mais de 3 séculos de exploração, de quase 4 séculos de escravidão e mais pra frente do que há de mais injusto no capitalismo, nesse processo que já nos dura pouco mais de 1 século: fechada a conta, 500 e poucos anos!

Hegemonicamente — o poder troca de indivíduo, mas não troca de classe. Como falar em democracia?… No entanto, a nossa história “vista de cima”, como diriam alguns sabiamente — afinal, a história também está nos detalhes e fora dos holofotes, a política está também nas potências imanentes, no modo de existir de cada um –, a nossa história “vista de cima” não é feita apenas de mera apatia ou de alienação generalizada — embora elas também existam –, diante da conjetura secular oligárquica: sempre houveram as revoluções, sempre desmanteladas, e sempre houveram os intrusos, sempre dizimados.

O que se entende é que, num processo republicano democrático, isso possa ser mitigado, reconfigurado, numa descentralização total do poder e da riqueza, através do dinamismo da República (que precisa amadurecer e ser ocupada por jovens progressistas, esclarecidos) e através da participação direta da Democracia. A Educação libertária encontra aqui, na quase maioridade do século XXI, o seu papel fundamental.

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