Existe uma esquerda brasileira desinformada e patética…

Existe uma esquerda brasileira desinformada e patética que se diz anti-capitalista (koisa que eu também sou), mas que não sabe propor nenhum modelo eficiente que possa substituir o capitalismo, porque o comunismo/socialismo clássico deles foi sanguinário, terrorista, burocrático, oligárquico, ditatorial e simplesmente não deu certo. Eles defendem isso!

Ora, esses mesmos esquerdopatas criticam a social democracia contemporânea, sem levar em consideração que a luta não tem nem dois séculos, que estamos tentando com acertos e erros. Eles não consideram, por exemplo, que, até agora, tem dado certo pensar numa economia social e solidária, num empreendedorismo que possa ser alternativo, consciente e crítico.

Há algo melhor do que isso por enquanto à nossa disposição?! Não, não há. E não houve. Mesmo que eu insista, lute e fale em Renda Básica, em Basic Income, trata-se, na realidade, de aprofundamento da economia solidária. É nossa única alternativa até agora… Todas as conquistas comunistas/socialistas do século XX a respeito de direitos trabalhistas e civis reivindicaram isso. Todo o resto não passou de ditadura, de perversão oligárquica tão tenebrosa quanto o capitalismo.

Esses verdadeiros esquerdopatas falam tanto em Revolução, mas não consideram (por burrice, maldade ou ingenuidade) que a Revolução Russa foi DIZIMADA com a ascensão de Stálin que, assim como tantos outros “ídolos” comunistas infelizes e deploráveis, simplesmente PERVERTERAM o marxismo. Isso precisa ser dito, precisa ser ensinado, não é nenhum motivo de vergonha para a esquerda, ao contrário, é motivo de identificar onde realmente estava a esquerda e onde ela foi usada falsamente.

Ora, é sabido que Stálin prendeu e matou não apenas milhões de civis, mas toda uma vanguarda e cultura efervescente, centenas de intelectuais, artistas e poetas, e os nomes são infindáveis demais para serem citados aqui, mas cujo ápice encontrava-se talvez no poeta Maiakóvski (cujo suicídio, não à toa, coincide justamente com a chegada de Stálin ao poder, ao notar que o partido começava a caçar quem não estava fazendo uma arte exclusivamente “para o povo” = propagandista, alienante…) Em seu desespero, que foi também o desespero de outros milhares, viu simplesmente que todos os sonhos e utopias da Revolução haviam sido jogados no lixo e que o mundo novo trazia consigo política muito pior do que a anterior na era monárquica. Muitos outros também se suicidaram. Aqueles que resistiram foram presos ou mortos.

Mas isso continuou assim mesmo anos e anos depois, já depois da Segunda Guerra, seja na Alemanha Oriental censurando Heiner Müller (marxista heterodoxo) ou na União Soviética exilando Andrei Tarkovski (cujos filmes eram tidos como herméticos e transcendentais demais)… A União Soviética desmantelou e matou o melhor que havia de cultura naquele país. Foi uma atrocidade incomparável. Incomparável. Outro cineasta que eu adoro, Sergei Paradjanov, passou anos e anos preso por sua homossexualidade e por outros assuntos políticos, sendo obrigado a exercer trabalhos forçados.

Tô fora dessa esquerda…

Existe um comunismo crítico paralelo ao poder e paralelo a isso tudo, alguns se ligam em Trostky, outros em Gramsci, mas o fato é que é preciso botar os pontos nos is. A koisa é muito, muito mais complexa.

Sejamos críticos, mas não idiotas!

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