ARTE, ENTRETENIMENTO E O CLIPE DA ANITTA

O entretenimento cumpre uma função e nada mais. Faz rir, alegrar, gozar, dançar, relaxar. No entretenimento, o corpo sai outro, esquece ou não aquele produto — entretenimento é produto, bom ou ruim –, mas necessariamente o descarta.

O clipe — que tive de ir assistir, porque há uma massificação que nos impõe de forma quase tirânica, nos atinge de todos os lados, e seus produtores estão pagando bem para falarem no clipe, canibalizando o mercado — é bom para discutir o que é arte e o que é entretenimento de forma objetiva, concreta, com um mistério imensurável no final da conclusão.

Diante do clipe, você só pode ter três reações principais: 1) se for um moralista, condenar; 2) se for aborrecente, se masturbar; 2) se for perceptivo e gostar, vai querer dançar. Não dá para iniciar uma discussão sobre favela ou sociedade de forma cavada, vai soar falso se não atestar simplesmente que é uma pura expressão, pois essas questões parecem chapadas no vídeo de forma superficial demais — o clipe nem mesmo tem essa intenção ou pretensão… (Diferentemente de um clipe que vi da Gal Costa com Preta Gil, por exemplo.) Mas este clipe aqui é entretenimento, raso, efêmero, mas válido e relativamente bem produzido… Por que é entretenimento, por que não é arte? A questão é: depois de se masturbar ou de dançar, o que é que vem? Todo entretenimento atende a um desejo momentâneo e o supre, ou finge supri-lo, mata o desejo e pronto, nada mais. Mas e depois?

A arte mora neste depois.

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