DIÁLOGO PÓS-ORGASMO NO BANHEIRO

– Qual é sua posição política?

Ia entrando no chuveiro, nu, quando disse:

– Acredito na grande política do Nietzsche.

– Você sabia que ele era a favor da aristocracia, decadente naquele final do século 19, e claramente contra os princípios marxistas, socialistas e até mesmo democráticos? Segundo ele, levavam à igualação e mediocrização do homem…

– Os homens são iguais em direitos, mas não em qualidades.

– Tenho que concordar, mas também era contra o discurso (talvez cristão) do coitado e do fraco, “ele incentivava a potência e a força do homem ao invés de acomodá-lo na inércia”, você vai dizer, e até aí tudo bem, mas e o apreço por figuras militares, Napoleão, César Bórgia, fantasmas tiranos que inspiraram seu Übermensch?…

– Sei bem, mas não falei da preferência política dele. Pra ele a esfera política é menor, não passa de repetições – e, em pleno século 21, é o que todos sentimos, não? Falo da grande política que há na cultura, nos valores, na potência singular do homem, na sua capacidade mesma de devir, de zona de mutação, de subjetividade, como diriam Foucault e Deleuze, ambos nietzschianos da geração dos anos 60 – falo dessa grande política de Nietzsche, que também está na cultura, na fisiologia e no corpo.

Que corpo!

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