“Há algo de pobre no reino da Dinamarca”: regras dinamarquesas contra a corrupção que podem ajudar o Brasil

Esses dias, dando uma olhada no Índice de Percepção da Corrupção criada pela organização alemã Transparência Internacional em 1995, constatei que a Dinamarca figura o primeiro lugar. Noutras palavras, é um dos países menos corruptos do mundo, embora apareçam casos que surgem uma vez ou outra. Mas o fato torna-se bastante engraçado se considerarmos que é justamente naquele lugar que a famigerada frase de Hamlet, de Shakespeare, teria sido dita pelo príncipe inconformado com o jogo sujo de sua corte.

O Hamlet de Kenneth Branagh, 1996.

O Hamlet de Kenneth Branagh, 1996.

O que a Dinamarca pode ensinar ao Brasil? Flávia Milhorance, direto de Copenhague em artigo de 27 de janeiro de 2016 na BBC Brasil, elencou oito “lições de combate à corrupção que a Dinamarca pode dar ao Brasil”. Milhorance deixa claro que nosso país tem avançado em muitas áreas (sobretudo no quesito da transparência), mas, ainda assim, essas regras (e não lições!) devem ser urgentemente aprofundadas. Gostaria de elencar apenas os títulos, pois a matéria completa pode ser lida no próprio site da BBC:

1) Menos regalias para políticos
2) Pouco espaço para indicar cargos
3) Transparência ampla
4) Polícia confiável e preparada
5) Baixa impunidade
6) Confiança social
7) Ouvidoria forte
8) Empenho constante contra a corrupção

Eu colocaria um nono tópico, fundamental no caso particular do Brasil: REFORMA POLÍTICA! JÁ! AGORA! Pois a Constituinte de 88 manteve os mesmos descalabros da época da ditadura e antes. Mas ela só ocorrerá com ampla pressão do povo, pois poucos dos nossos governantes – até mesmo os verdadeiramente honestos – abdicariam de seus privilégios.

Comments

  • Essas lições são bastantes interessantes, mas acho que não podemos abraçá-las por completo. Devemos levar em consideração que muito do atual sucesso que a Dinamarca e outros países nórdicos gozam é fruto de uma herança cultural que o povo acumulou com o passar dos tempos. O remédio mais eficiente contra corrupção em curto prazo é o fim da república. Ao menos no âmbito politico cairia drasticamente já nos outros seriam necessário outras medidas. Eu infelizmente não acredito em uma ampla iniciativa do povo.
    Parece que a nossa sociedade está se tornando cada vez mais apolítica ou bipolarizada.

    Douglas Miguel 19 de setembro de 2016
    • Fim da República?! Você deve ser daqueles que curtem uma Monarquia ou uma Ditadura. Se for assim, é daqueles que preferem que todos os casos de desmandos sejam encobertos, esquecidos, engavetados. Sim, não há qualquer transparência nesses dois estilos de governo, e a população fica completamente alienada a respeito do que se passa. Se na República isso já ocorre, pois mesmo a imprensa brasileira e mundial é parcial e tem conluio com políticos, imagina numa monarquia ou numa ditadura… Ao mesmo na República existem órgãos independentes, livres, e espaços para a liberdade de expressão. A Monarquia está ultrapassada e só existe na Inglaterra porque é lucro turístico milhares de pessoas irem visitar os palácios cafonas. Em termos de poder, quem manda mesmo é o primeiro ministro. Aconselho que leia a respeito dos casos de corrupção na época do Império do Brasil, um Império ruralista que se sustentava com a desumana escravidão. Isso tudo também configura corrupção. Aliás, escrevi um longo ensaio aqui no blog sobre ambos os períodos negros do Brasil: a Monarquia e a Ditadura, que impediram o Brasil de explodir no mundo. Até hoje pagamos os descalabros de ambas as épocas. Abraços.

      Fernando Graça 19 de setembro de 2016
  • Em suma eu apoio a centralização do governo. Eu não sou totalmente favorável a nenhum sistema, pois reconheço que existem falhas em todos, mas o que mais está fadado a falhas são as democracias republicanas.
    Se eu fosse dizer o que eu apoio seria mais uma aristocracia no estilo platônico, mas na falta dela o que nos resta escolher é isso.
    A monarquia Inglesa é uma piada para falar a verdade. Monarquias exemplares são as da Espanha por exemplo ou mesmo a que teve aqui no Brasil onde a principal característica é o poder mediador. Irônico você falar que a monarquia impediu que o Brasil de explodir, mas nos tempos do Império o Brasil era uma potência econômica acima inclusive de varias potências europeias. Com o fim da monarquia pelas mãos dos escravocratas o Brasil se converteu a um vassalo do mundo, um mero exportador que sobrevive apenas de seus compradores internacionais. Mas então tivemos Vargas que justamente foi quem industrializou e desenvolveu o Brasil.
    A divida que o Brasil possuía com o estrangeiro durante o período Vargas era insignificante se comparado com a que temos hoje. Vargas teve cautela ao se relacionar com o mercado internacional e foi só com JK que a divida inflou absurdamente.
    Os governos militares agravaram a divida também.

    Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
    • Oi. Essa ideia de que o Brasil era uma potência monárquica é uma falácia absurda e estúpida daqueles que pensam que esse país gigante, plural e diverso vai um dia voltar a ser Monarquia. Seria impossível. É uma falácia porque o país era MISÉRAVEL, ATRASADO. O Brasil começa a crescer mesmo com a industrialização e com o século XX, daí a importância de São Paulo, e não do Rio, onde a corte estava instaurada. A Monarquia impediu a todo momento a industrialização, inclusive os ruralistas junto com D. Pedro II faliram Mauá justamente por isso, porque a industrialização acabaria com a escravidão e com as benesses vampíricas da monarquia: coloquei tempos atrás um vídeo do Décio Pignatari falando sobre isso, procure, os “neo monarquistas” ficaram putos. Eles jamais podem negar que a riqueza era concentrada na mão de ruralistas, donos de terra. A possibilidade de um brasileiro ter acesso aos bens de consumo e bens intelectuais era quase nula. O abolicionismo, por ter chegado tarde demais por aqui, agravou os problemas sociais. Não sei como ainda batem nessa tecla. Potência porra nenhuma. A propósito, fiquei curioso como você chegou até aqui. Foi pelo Google? Até

      Fernando Graça 20 de setembro de 2016
  • Sim, foi pelo Google. Gostei muito de ler seu Blog!
    Abraços

    Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
  • A única coisa que realmente se mostrava ameça a monarquia foi o fim da escravidão, mas não por que o Império sobrevivia disso, mas sim por que contrariaria inúmeros oligarcas latifundiários que lucravam montes com o serviço escravo. Está classe vil simbolizava nada mais do que o pensamento plutocrático que era totalmente antagônico ao poder monárquico de influência católica e não é nem necessário dizer o que a Igreja pensava disso e ainda mais o Papa da época Leão XIII.
    Dom Pedro II foi um grande promovedor da ciência e não foi a atoa que conquistou o respeito de inúmeros intelectuais de todo o Ocidente e dizer que o Império era um “atraso” é ingenuidade demais e falta de contextualidade histórica.

    Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
  • Olha o quanto eramos atrasados:

    (1880) O Brasil era a 4º Economia do Mundo e o 9º Maior Império da História.

    (1860-1889) A Média do Crescimento Econômico era de 8,81% ao Ano.

    (1880) Eram 14 Impostos, atualmente são 92.

    (1850-1889) A Média da Inflação era de 1,08% ao Ano.

    (1880) A Moeda Brasileira tinha o mesmo valor do Dólar e da Libra Esterlina.

    (1880) O Brasil tinha a Segunda Maior e Melhor Marinha do Mundo. Perdendo apenas para Inglaterra.

    (1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

    (1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de Ferro do Mundo, com mais de 26 mil Km.

    Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
    • HAHAHAHA! O mundo era completamente outro! Nem mesmo um idiota usaria dados do século XIX para se comparar com o século XXI! O Brasil era muitíssimo menor, o Império não deixou NENHUM legado para a população brasileira! NENHUM! Comentarista de Internet, faça-me o favor: entre numa faculdade, estude muito, leia! Meu caro, você já teve seus 15 minutinhos, suas próximas respostas não serão aceitas. (Se não quiser ler essa minha resposta, vá direto ao final, onde deixo um link para você se informar melhor…) Eu também poderia pegar milhões de benefícios atuais e comparar com o período monárquico. Coisa de quem não tem argumento! Outra coisa: é muito incoerente você usar o adjetivo “vil” ao tratar dos ruralistas e ainda assim defender a monarquia. Ora, a Monarquia só existia justamente por causa desses ruralistas. Eram eles quem sustentavam a coroa, oras bolas! Não se pode defender um camarada como D. Pedro II que ganhava percentual por cada peça de escravo vendida. Um reacionário de marca maior. Os intelectuais o adulavam porque, já naquele tempo, existiam condecorações e nomeações e essas coisas bem políticas… Não existe lógica progressista e otimista dentro do Brasil do século XIX, era atrasadíssimo. As coisas começaram a melhor com a industrialização – o Brasil cresceu e por isso será sempre inviável o retorno de uma “monarquia” – veja o dito “sucessor” de D. Pedro II: um velho desnorteado que sempre viveu bem dentro do seu palácio, não tem qualquer conhecimento de como vive ou pensa o povo brasileiro… Um imbecil sênior com o pé na cova (graças aos céus!) e com mentalidade de dois séculos atrás!!!… Bom, penso que já debatemos demais por aqui, é melhor terminarmos. Fique com o vídeo do Décio Pignatari e até mais: https://www.youtube.com/watch?v=2s8Qfl7eB2M

      Fernando Graça 20 de setembro de 2016
  • Fernando Graça, só mais essa pra gente terminar.

    Ora, eu uso dados do séc. XIX para tratar daquele seculo não para fazer um comparativo com este. :v
    O Império Brasileiro dentro do contexto do séc. XIX era uma das maiores potências mundiais logo jamais naquela época poderia ser tomado como”atrasado”.
    Qual é a incoerência apontada por ti? Como eu já bem citei estes latifundiários eram plutocráticos o que totalmente divergia da monarquia independente se eles sustentavam a coroa ou não.
    Se Dom Pedro II fosse um homem tão mesquinho como pintado por ti ele não teria a preocupação de abolir a mesma do país.
    Não existe lógica progressista (no âmbito moral)? Melhor ainda! Este tipo de pensamento só foi nocivo para qualquer país do mundo.
    Claro que Marechal Deodoro (se estiver se referindo a ele) não teve as capacitações, o próprio Dom Pedro II sacrificou sua infância e adolescência para estudar para ser um bom governante e você pensa que um militar como ele seria realmente capaz? É ilógico esperar boa coisa.
    E o Brasil só seria verdadeiramente industrializado com Vargas e não antes disso.
    A República só foi retrocesso e inércia!

    Sua opinião independente do meu modo de pensar e bem coerente, só quero tirar algumas dúvidas que tenho durante esse período com você.

    Abraços!

    Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
    • Sim, mas não se pode usar números DAQUELA época (muito suspeitos e duvidosos, por sinal!) para ESTA época, pois isto configura uma falácia, entendeu?
      Onde você mora? Viu o vídeo do Décio Pignatari?

      Fernando Graça 20 de setembro de 2016
      • Entendi, moro em Porto Alegre, e você?

        Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
        • Em São Paulo, é claro! São Paulo surgiu mesmo com o século XX. Antes era só mato e fazendas e chácaras. É a cidade mais moderna do país. Graças, entre outras coisas, ao fim do Império…rs Há vários ensaios aqui no blog onde falo como o desenvolvimento de São Paulo, sobretudo nas épocas democráticas, foram os momentos de maior avanço cultural, social e artístico do Brasil. Abraços

          Fernando Graça 20 de setembro de 2016
  • Fernando, eu não estou fazendo um comparativo com está época, estou apenas tratando daquela. O que estou tentando entender é esta noção trazida por você de que o Império tenha sido “atrasado”.

    Douglas Miguel 20 de setembro de 2016
    • Acho que vai ser difícil eu botar na cabeça de um gaúcho branquinho de olhos azuis e imperialista o que é atraso. Você está me cansando e isso está virando um compêndio ou uma aula, vou precisar cobrar… Existe sociedade escravista e escravocrata que não seja atrasada?! Depois disso não há mais o que se discutir… A lógica de uma sociedade escravista é atrasada e ponto final. Atrasada é pouco. Era MISERÁVEL. Você já foi à Índia? Mais ou menos daquele jeito. As chances de um indivíduo como eu ou como você de ascender socialmente ou de serem felizes eram mínimas, para não dizer nulas, a não ser que fôssemos filhos de senhores de terra para podermos ir para a Europa estudar, pois aqui não tinha nada. Não havia a ideia moderna de trabalhador, com seus direitos. Consegue conceber uma sociedade assim? O país se concentrava no Rio de Janeiro, onde estava a corte; o resto do país não era nada senão estruturas e instituições precárias e provisórias, pois o projeto português jamais pensou em criar uma nação, mas sim em enriquecer em cima da colônia. O abolicionismo não garantiu nenhum direito aos negros e aos miscigenados. Daí nascem as periferias e todas as misérias sociais que só nos últimos anos estamos conseguindo reverter. ATÉ HOJE PAGAMOS POR TODOS ESSES DESCALABROS. Tá bom ou quer mais? É impossível defender. Agora chega, né?

      Fernando Graça 20 de setembro de 2016
  • Fernando, Eu já vi esse vídeo do Décio Pignatari e ele já começa ingênuo ao querer comparar dois processos abolicionistas totalmente destintos (Estados Unidos e Brasil).
    A escravidão nunca foi totalmente aceita, exceto por aqueles que viam como um negócio lucrativo. A escravidão não demoraria para que fosse abolida e antes da abolição aqui no Brasil (1888) Brasil e Portugal já apresentavam um longo histórico de combate a escravidão tanto que Portugal foi pioneiro no abolicionismo ao abolir a escravidão de todos os seus territórios em 1761, mas devido a extensão de seus territórios e as dificuldades em controlar, muitos dos navios negreiros continuaram a comercializar na América Ibérica.
    E sério que você vai comparar a sociedade escravagista com as castas indianas? É necessário que eu te recorde do famoso Barão de Guaraciaba?
    Se as intenções de Portugal fossem simplesmente “enriquecer” através do Brasil eles não teriam elevado o Brasil como reino em 1822 mesmo o Brasil pertencendo aos seus territórios
    Foi infeliz em sua afirmação sobre o Rio.
    Desde o período colonial já se pensava na transferência da capital mais ao centro do país e foi o monarquista, José Bonifácio, um dos principais defensores da transferência e ela só não teve tempo de ser concretizada devido a instabilidade politica pós-independência e mesmo com a estabilidade ficou em segundo plano devido os grandes gastos que deveriam ser feitos para algo de tamanha proporção.
    Como eu bem já citei anteriormente: Não foi oferecido nenhuma assistência humanitária por conta do advento da república.
    Princesa Isabel planejava indenizar os escravos e inserir social e economicamente todos aqueles que libertou com a Lei Áurea.
    Se dependesse dos republicanos a escravidão nem teria sido abolida já que a maioria destes eram donos de escravos e vale ressaltar que as periferias surgiram justamente em sua gestão, caro amigo!

    Leia: http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2009/12/dona-isabel-e-indenizacao-aos-escravos.html

    Se quiser prosseguir com está saudável discussão a escolha é sua, mas acredito que já não tenha mais nada a se comentar.

    Douglas Miguel 21 de setembro de 2016
    • 300 ANOS DE ESCRAVIDÃO DURANTE A MONARQUIA E VOCÊ VEM FALAR QUE OS PROBLEMAS E CONSEQUÊNCIAS SÃO DA REPÚBLICA?! FAZ-ME RIR. Deve ser daqueles que acham que um governo atual pode resolver 300 anos de problemática num estalar de dedos. Qual é seu nome mesmo? Incoerência ou burrice? Indenização aos escravos?! Demoraram muito, tarde demais. E não é um blog que diz. São livros! Se a “indenização” e os 300 anos tivessem feito alguma coisa, o país não teria periferias, guetos, segregações e injustiças sociais. Abs

      Fernando Graça 21 de setembro de 2016
  • Será que Faculdade faz alguém pensar melhor? Não é isso que eu vejo na minha cidade.Quanto a discussão sobre República versus Império,prefiro não opinar.Não tenho conhecimento profundo sobre História do Brasil,apesar de ter lido alguns clássicos do gênero,como ‘Casa grande e Senzala,Raízes do Brasil e Formação do povo brasileiro’.

    Ademar Amancio 13 de outubro de 2016

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *