Machado de Assis foi mestre em retratar o brasileiro branco da alta classe decadente…

Machado de Assis (1839-1908) foi mestre em retratar, nos seus contos e romances, entre miríade de outros elementos, o brasileiro branco da alta classe decadente do final do século XIX, do final do império e da monarquia, do final da escravidão, ou seja, um homem que simplesmente não se conformava em ter que trabalhar; que queria viver bem, de forma aristocrática, mas sem trabalhar, tornando-se, portanto, nada mais do que um oportunista típico do Realismo, numa sociedade que se move apenas em torno do dinheiro.

Esse homem, em menor ou maior grau, somos todos nós, burgueses ou pequeno burgueses, brasileiros. Esse problema, anteviu Machado, está no cerne da cultura brasileira, calcada há séculos na escravidão, onde só o negro é que “trabalhava” – se é que podemos chamar aquilo de trabalho.

Isso me lembra o que já escrevi aqui, a respeito do Barão do Mauá (1813-1889), homem raro, um branco empreendedor, falido pelo desprezível D. Pedro II e sua corja de conservadores, escravistas e ruralistas, pois a industrialização – que era o projeto arrojado do Mauá – acabaria com a escravidão e acabaria com a Monarquia – como no exemplo americano, em que os industrialistas do norte vencem os escravistas do sul, e os Estados Unidos, com a vitória de Lincoln (1809-1864) em diante, começam a explodir no mundo.

Aqui o atraso ainda ficou vigente, mantido pela classe dominante desprezível – cujos primogênitos se sucedem no poder hegemonicamente e ainda hoje nos desgovernam.

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