Quisera ser Lord Byron

Estive lendo alguns detalhes biográficos de Lord Byron (1788-1852) que eu nunca tinha prestado atenção. Que figura histórica fantástica! Poeta, rico, bissexual, homoerótico, revolucionário, guerreiro. Não há nenhum inglês atual que chegue aos seus pés. Provavelmente não há nenhum homem em qualquer local do mundo de hoje que chegue aos seus pés. Eu mesmo, neste momento, gostaria de ser Lord Byron. Por enquanto, restam-me os mesmos devires: o devir poeta, o devir bissexual, o devir homoerótico, o devir rico (se este for mesmo possível, já que se trata dum modelo dominante – “todos os devires são minoritários”, afirmava Deleuze), o devir revolucionário, o devir guerreiro. Vejamos: como se sabe, Byron fora grande poeta romântico, influente (de Castro Alves a Álvares de Azevedo a incontáveis outros, para ficarmos somente no Brasil); um homem belo e rico (milionário) que, ao invés de viver no tédio da primeira metade do século 19 (como todos os românticos ou a maior parte deles – e sobretudo como a maior parte dos ricos, ainda hoje), preferiu ser dionisíaco (Nietzsche, décadas mais tarde, contraporia o ser dionisíaco contra o ser romântico, “mar sem ondas”), estava disposto a gastar toda sua fortuna (gastou muito) para ajudar heroicamente a independência da Grécia, tendo ido lá pessoalmente, ajudado humanitariamente feridos, criado brigadas, coordenado alguns grupos ou tropas, apesar de nenhuma experiência militar, diplomaticamente tentado conciliar as brigas internas que os próprios políticos e cidadãos gregos tinham entre si, ao invés de se unirem pela independência; adotou uma criança turca que perdeu os pais pelos gregos, enviando-na para um local seguro; apaixonou-se por um grego, Lukas Kolokotrone, de 15 anos, que, infelizmente (ah, esses twinks, ah, esses eromenos!), só queria saber do dinheiro do sugar daddy, mesmo este tendo escrito diversos poemas lindos para ele, como, aliás, Don Juan, já havia feito para tantas moças e moços. Tanto fluxo de intensidade, tanta potência potente demais (para usar termos deleuzianos e espinosianos e meus) só poderia resultar numa febre mortal aos 36 anos, em cena que o pintor Joseph-Denis Odevaere retratou de forma impressionante, mas com os merecidos louros gregos, helênicos na fronte do poeta. Que artista, que figura, do ponto de vista histórico, fascinante, libertária, ativa, apaixonada! Aliás, não só ele, sua geração foi fantástica: Percy Shelley, Mary Shelley e outros. E este parágrafo apenas para ficarmos somente nos seus anos finais, apenas um breve comentário que retrata a minha emoção e entusiasmo; os anos anteriores e os de juventude foram igualmente interessantes e intensos (como todos seus versos e obras), mas, por enquanto, bastam-me estes.

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