TECNOLOGIA DEMAIS ME DESCONFORTA E ME DEPRIME.

todo o maquinário da revolução industrial trouxe consigo peso existencial e cultural no homem. fernando pessoa (1888-1935), ou melhor, o seu álvaro de campos, retratou isso muito bem – arrisco até mesmo a dizer que como nenhum outro nome da Literatura, com exceção, talvez, de Kafka -, primeiro com entusiasmo em suas odes vanguardistas que exaltavam as máquinas, o alvoroço, o citadino, enfim, o nascimento do século xx, mas depois, já nos poemas tardios, considerados pós-modernos, parece insinuar a consequência ou o reverso, a apatia, o desconforto físico e o isolamento do mundo moderno.

a revolução digital, que não deixa de ser uma das grandes consequências da industrial, tem processo semelhante. vivemos rodeados e ligados constantemente a celulares (que, hoje em dia, só faltam voar), computadores, máquinas portáteis, robôs, enfim, toda sorte de eletrônicos que tiveram e ainda têm mais do que nunca impacto imenso em todos os setores internos e externos do homem.

em maior ou menor grau, praticamente todos nós estamos dependentes desses objetos. vivemos as consequências daquele processo histórico.

acontece que chega uma hora que essa condição digital e virtual causa enorme desconforto no corpo, um certo cansaço, frieza, um ranço, gosto acre, aridez, certa apatia e até estado depressivo.

corpo e alma pedem então experiências mais próximas, reais, contatos diretos. somos seres sensíveis. temos sede disso!

séculos e séculos se passaram e o equilíbrio continua sendo um dos grandes desafios de todos nós.

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