Pena de morte para corruptos?!

Vejo contatos meus no Facebook compartilhando fotos – duvidosas ou fatídicas – da China executando “políticos corruptos”, sempre acompanhadas de legendas com os dizes “Imagina se essa moda pega no Brasil” etc. Tão logo vejo isto, trato de excluir a pessoa, não sem antes fazer um comentário direto e colocar a carinha de ira.

Primeiro, a política da China não é exemplo para NADA. Mais errada ainda é esta demonização da política incentivada por uma grande mídia diária perniciosa que temos no Brasil, quando é notório que Lava Jato e afins são dóceis com os corruptores, os capitalistas – e aí não adianta de nada combater politiqueiros. Pura alienação e miopia geral o que anda ocorrendo – há até quem diga que capitalismo e corrupção são indissociáveis e, de fato, pesquisas mostram que, hoje em dia, na axiomática capitalista pelo mundo todo, nada é feito sem propina.

Como se não bastasse, reflitamos um pouco; basta implantar isso e inventarem um processo contra você, sim, você que está me lendo, mesmo que seja descabido, para te executarem, atropelando os trâmites legais, atropelando a Constituição, os direitos de defesa. É sempre ótimo quando não chega no nosso quintal… “Não, mas não sou corrupto, sou íntegro!” Te responderão: “Isso é o que todos dizem!” Qualquer um pode te processar, não pode? Podem, inclusive, exigir que você prove a inocência, mesmo não comprovada a culpa. Podem, inclusive, mudar os valores e as leis do que é ser corrupto e do que é ser íntegro.

O moralismo é sempre terrível – no Estado, nas religiões, em todos os lugares. A regra a nos vigiar é sempre terrível. Não, não falo isso em nome de direitos humanos ou em nome de uma moral, mas a nível dos afetos mesmo: toda linha de morte é terrível e é puro fascismo. Sou contra até mesmo as penas de morte de certos estados americanos e no Japão. Há métodos estruturais mais efetivos para tratar a impunidade e a falta de ética do que o medo, a morte e a violência.

Mesmo a violência social e urbana de roubos e afins – como o Atlas da Violência de 2018 mostrou – deve ser tratada com inclusão, fim da desigualdade, fim da fome e da miséria e da pobreza, não com um Estado estupidamente policialesco e militar inútil, sem resultados, gerando ainda mais medo, insegurança e revoltas e mortes.

Agora, voltando ao crime do colarinho branco, sempre importante – e JURISDICIONALMENTE, FILOSOFICAMENTE sábio – lembrar que uma corrupção financeira pode (e deve) ser revertida, devolvida, ressarcida, o mesmo não ocorre com a liberdade e com a vida.

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