A humanidade transcibernéticaemdevir emergirá da Lagoa Rodrigo de Freitas e/ou do Rio Tietê…

MUITO IMPORTANTE:
Existe uma humanidade adâmica, cada vez mais ultrapassada hoje em dia. Decadente, ela se encontra no seu fim gradual — e sabe disto e se desespera, mas é um processo irrevogável e um grande alívio.
E existe também uma humanidade transcibernéticaemdevir do século XXI que vai emergir das profundezas da Lagoa Rodrigo de Freitas e/ou do Rio Tietê.
Agora, como muitos de vocês sabem, a Lagoa — um dos lugares que mais gosto no Rio e que tenho memórias íntimas, pessoais, amorosas, sexuais e até maternas muito doces (há fotos nos meus perfis virtuais que comprovam tudo isto) — é mil vezes mais agradável do que a atmosfera poluente e do que o cheiro de bosta do Rio Tietê, mas ela não é cem por cento limpa. Ao contrário, em vários lugares é possível ver impurezas na sua própria margem.
Tais impurezas decorrem de gritos liberados pela parcela trans (“trans” significa uma superação de qualquer campo humano binário) e também de liberações da parcela em devir, que em sua intensidade potente em eterno processo vai soltando axiomas, questões e conceitos, numa recomposição, renovação infinita como as cobras trocam de pele.
Contudo, praticamente 90 por cento destas impurezas decorrem da parcela cibernética, que é a parcela situada entre a zona trans e a zona em devir.
Isto não significa que o cibernetismo é impuro por si só, mas que, ao contrário, também expele as impurezas, numa espécie de contágio herdado de parcelas industriais, tecnológicas, psíquicas impactantes. Toxinas em todas as suas formas e tipos e estados.
(Vale lembrar que é impossível jogar algo “fora” — lixo é simplesmente matéria “fora” do lugar, mas não pode sumir, terá inevitavelmente que estar em algum outro lugar ou ser transformada, reciclada, positivamente.)
Por que grande parte das impurezas decorrem da parcela cibernética? Porque na passagem entre o virtual e o real há um pequeno intervalo mais imensurável que um abismo sem fundo, carregado de inconsciente.
O que é importante frisar neste processo universalmente específico é que, justamente ao expelir suas impurezas, a mônada transcibernéticaemdevir torna-se limpa: limpa do que?
Este é ainda um grande mistério, mas limpa em toda sua estrutura física e também espiritual, ética e potencial. É uma limpeza muito profunda e as impurezas nada mais são do que somatizações de processos psíquicos seculares coletivos…
Mas voltemos à minha afirmação inicial: é uma humanidade que, embora já praticamente exista, ainda vai emergir… Sim, ainda vai emergir… É uma humanidade já em gestação, já muito desenvolvida, já entrando em fase adulta, que ainda está para emergir…
Esta constatação nos leva a um leque infinito de potencialidades imanentes individuais e de possíveis futuros coletivos: o contágio externo, a autopurificação interna, o contágio extrínseco, a autopurificação intrínseca.
É quase uma dança, muito trágica, até mesmo terrível e catastrófica, praticamente mortal para todos e danosa para a própria Terra, mas espiritualmente divina, enriquecedora ao mesmo tempo. Como pode existir esta ambivalência e discrepância?!
Esta nova mentalidade, que é também uma postura existencial e um porte físico, aponta para esse fascinante paradoxo: o aperfeiçoamento coletivo disso que chamamos de “ser” em face da degradação do exterior. Mas posso estar simplesmente me precipitando erroneamente — pode ser que este desenvolvimento interno individualcoletivo dê conta também de um reaproveitamento extremamente positivo e eficiente das suas solturas…

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