ESQUERDA MEDÍOCRE?, DIREITA DESPREZÍVEL: O LUMPESINATO

Marxistas, comunistas, socialistas, esquerdistas, no geral, falam muito pouco (ou quase nada ou nada) sobre o lúmpen. Eu mesmo só vim estudar o assunto mais seriamente meses atrás. Marx os descrevia não como subproletariados, como alguns pensam ou propagam, mas praticamente como escória de farrapos (lumpenproletariat, parcela degradada e desprezível do proletariado). São mendigos, pedintes, miseráveis, vadios, enfim, todos aqueles que estão à margem como os trabalhadores e abaixo da classe dominante, também revoltados como todos eles, mas que não são conscientes, politizados nem revolucionários. Qualquer dicionário vai defini-los como “improdutivos”. Para Marx, eles atrapalham a revolução, porque aderem ao sistema, são parasitas do governo – independentemente do governo que surgir, a relação é de cliente, eles querem saber o que é que o governo pode lhes dar: um terreno, um litro de leite, um carro, uma casa, aí sim, apoiam, votam. Alguns (não todos) intelectuais marxistas e esquerdistas atuantes, por meio da cultura, da educação ou diretamente, sempre tentaram conscientizar o lúmpen a se transformarem em revolucionários. A Igreja Católica, durante sua história, sempre levou o lumpesinato na conversa ou na relação de troca e interesse, através de migalhas e do discurso ideológico-religioso do fraco (que Nietzsche abominava). As igrejas neopentecostais, em seus templos e tevês capitaneados por pastores deprimentes ou na bancada evangélica da política, fazem o mesmo, de forma diferente, mercantilista, com dízimo e negócios, e com a ideologia da superação (das drogas ou de qualquer outra coisa) pela via da fé e da relação financeira com eles e com os pobres em geral. Getúlio Vargas, apesar dos direitos que surgiram em seu governo através de lutas sociais, parece ter atuado junto aos operários brasileiros no sentido de torná-los lúmpens. Lula, antes de chegar ao poder, fazia o oposto, evocava os operários a saírem do lumpesinato e a reivindicarem. Mas, no poder, a tática do PT mudou completamente e passou a amedrontar quem recebia benefícios sociais e o Bolsa Família, por interesses eleitorais, apenas para criar essa dependência medíocre. A velha direita, por sua vez, como todo mundo sabe, vai na direção do extremo oposto, na austeridade, na truculência, distribuindo uma ou outra migalha ou simplesmente nenhuma, aprofundando ainda mais os problemas sociais seculares do país.

O problema disso tudo é que ficamos nesse jogo e não resolvemos DE VEZ a pobreza, o atraso e a miséria. Eu escrevi DE VEZ.

PS.: Ainda não estudei – e é melhor não confrontar agora, pelo menos por enquanto -, as ideias desse meu texto com ideias que escrevi em outros, sobre Basic Income, Renda Básica, fim dos empregos obrigatórios e era das vocações, salário incondicional para todos os seres humanos, pois trata-se de um mundo e de uma alternativa radicais e diferentes da teoria marxista e da conjectura nacional atual que expus acima. A escritura desses temas confunde minha própria posição existencial e política e tende a ser complexa, demanda tempo.

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