STEPHEN HAWKING: CAPITALISMO, PLANETA TERRA E NÓS, A HUMANIDADE

Hawking se foi. Dentre os diversos apontamentos possíveis de seu legado na ciência, gostaria de destacar que, em suas últimas aparições, declarações, entrevistas, ele anunciava que, dada a destruição gradual do capitalismo na ecologia e nas áreas humanas, a humanidade não tinha mais do que 100 anos e que deveríamos já buscar outro planeta. Posteriormente, não muito tempo depois, aumentou o cálculo profético para mais alguns anos.

Faz lembrar a famosa frase do Lévi-Strauss no final de Tristes Trópicos : “Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele.”

Brinquei, meses atrás, escrevendo que somente a elite seria capaz de se instalar noutro planeta. De fato, somente ela tem dinheiro suficiente para viajar no espaço. (Aliás, já não se fala em “turismo intergalático”?)

Sendo assim, como diria o grande “pós-dramaturgo” da Alemanha Oriental, Heiner Muller, numa visita em São Paulo em finais dos anos 90 registrada em matéria pela Folha, já nos estertores do Império Soviético e já derrubado o Muro de Berlim: a elite nos dominará do espaço, ficaremos aqui como escravos, reconstruindo o Planeta Terra.

Hawking se foi. Muito se falou, se fala e se falará mais ainda do seu legado na ciência, mas gostaria de deixar registrado este aspecto particular do seu posicionamento científico, humano, político, ético.

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