Questões para Ferreira Gullar: Aécio, Dilma, PT, Temer, impeachment

Eu ia ficar calado, mas gostaria de comentar esse artigo em especial (Folha de S. Paulo, “De volta ao real“). Não sei até que ponto Ferreira Irregular está lúcido, no auge de seus 85 anos, mas vamos lá:

1. O colunista tem, sim, experiência suficiente para saber como vai ser o governo Temer. Mas ele foge do debate, numa espécie de silêncio constrangedor.
2. Seu alvo seletivo no quesito corrupção é de dar pena para alguém considerado intelectual. Só tem olhos para o PT. Sim, o PT está atolado de escândalos (pela primeira vez investigados e não engavetados – diga-se de passagem), mas qualquer outro caso de corrupção de outro partido, em especial do seu PSDB, ele omite. E não são casos menores, não (morar no Rio de Janeiro não é desculpa). Não queria chamar um poeta cuja obra tanto admiro de comprado, então vou considerá-lo como um simples otimista bobo.
3. Em sua posse na caretíssima ABL, Serra estava presente. Será por isso?! O que esperar de quem já falou (no Centro Cultural Sergio Porto, e está gravado) que Sarney foi o maior estadista do Brasil?! Anos atrás, numa troca de provocações com Augusto de Campos (que também tem 85 anos!), este justamente lhe disse para ir para a ABL fazer companhia com seu conterrâneo. E ele acabou indo, mesmo…
4. Nas últimas eleições, chegou a dizer que Aécio era a melhor (!) opção para o Brasil. Nada contra o direito de opinião e de voto, porém, não falou nada, um silêncio, com o fato de que Aécio foi citado na Lava Jato, enquanto contra Dilma não há nada (o que desvalida seu apoio ao impeachment ilegal). Pós escrita do dia 11/05: Gilmar Mendes arquivou investigação sobre Aécio. Que tipo de ministro é esse?!
5. Condeno a parcialidade e somente ela. Não ignoro os erros abismais do PT (morais, econômicos, sociais), e até mesmo já cheguei a incomodar colegas petistas ou “de esquerda”, porém não fico só nisso. Esse tipo de posicionamento do colunista é tacanho, simplista e grave, gravíssimo, porque coloca o governo ao deus dará, numa espécie de avaliação descarada ou de simples desconhecimento político, sem qualquer capacidade lúcida de crítica multilateral. Um vazio de ideias, um silêncio constrangedor em relação a todos os aspectos sujos da oposição, facilmente apontáveis. Porém, é muito mais fácil malhar o PT, absolver todo o resto tido como santo e fugir do debate. Quando isso acontece eu suspeito muito: da capacidade intelectual e/ou da índole.

Escrito em 09/05/2016

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