Deve haver uma outra forma de se viver…

Deve haver uma outra forma de se viver. Não é possível. Não faz sentido para mim. Trabalhar no que não se gosta apenas para poder sobreviver. Até as feras vivem de forma mais digna! Nem com toda grana e salário eu me venderia assim, em nome de recompensas materiais e confortos que não me atingem fundo na alma. Nunca quis me render a esse tipo de lógica. Me enojam as palavras “sextei”, “estou livre”, “férias”, “feriado”, “rotina”, “emprego”, parece coisa de escravo, é ilusão, oxigênio mínimo para depois se voltar ao círculo vicioso e à alienação. Tudo o que é grandioso, ao menos para mim, é completamente oprimido e colocado em estreitos corredores da praticidade e dos números cotidianos. Que merda de sociedade e de mundo e de sistema! Deve haver alguma forma das coisas grandes do espírito se apoderarem dessa subserviência toda! Sempre vislumbrei — vários outros nomes pelo mundo vislumbram e já instauram — um salário incondicional básico para todos pagarem o que precisam para sobreviver, para que usemos o tempo livre para nossas vocações e desejos. Somente assim haverá alguma democracia de fato.

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