Meu assassino me encontrou na escuridão, entre paradoxos eleáticos…

Meu assassino me encontrou na escuridão, entre os meus livros. Apontou o revólver bem na minha direção e sem dizer nada atirou. Da escuridão eu falei:

– Sua bala jamais me atingirá, estará sempre em repouso, porque, ao ser lançada, terá que percorrer uma trajetória dividida em segmentos menores e infinitos, inesgotáveis, até me acertar no espaço onde eu estou, já que entre A e B, entre 1 e 2, há espaços sem fim, há intervalos ilimitados, portanto, dada a infinitude da questão e as inumeráveis distâncias, isso jamais vai ocorrer. Você mesmo, jamais me apanhará com as próprias mãos, jamais conseguirá me pegar, porque cada vez que você percorrer uma distância, eu já terei percorrido uma outra distância, por menor que seja, e ainda que você seja mais rápido do que eu.

Meu assassino ouviu pacientemente estes meus paradoxos eleáticos, depois ouviu meu corpo cair morto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *