O século 21 começou pra valer há exatos 17 anos, em 11 de Setembro de 2001…

O século 21 começou pra valer há exatos 17 anos, em 11 de Setembro de 2001. Há quem fixe o ano de 1989, com a queda do Muro de Belim, ou mesmo 1991, com o fim da Guerra Fria, mas o que nós sabemos é que, do ponto de vista macro-histórico, nosso século não começou no dia 1 de Janeiro de 2001, como nos dizem os calendários.

O complicadíssimo século 20 terminou sem traumas (tal como o desmanche da União Soviética nos anos 90), ao contrário de outros fins de siècle mais turbulentos; o Ano Novo que abria o Terceiro Milênio trazia uma onda de otimismo geral (os anos 90 produziram o New Age, a fome de espiritualidade entre os jovens), frustrada com o ataque surpreendente e com a queda das Torres Gêmeas, e suas consequências de guerra contra terrorismo, guerra contra imperialismo, ressentimento entre as nações, medo social, sobretudo nas grandes cidades. Fukuyama errou… Daquelas ruínas e daquele Ground Zero – mais impostos do que a queda do Muro de Berlim e do que o desmanche soviético – aparecia um outro mundo, uma outra história.

No Brasil, ao menos, já no ano seguinte, a esquerda finalmente chegava ao poder, com amplo apoio popular e até da elite; uma das suas marcas inquestionáveis, além de permitir uma era de ascensão social e consumismo, fora o protagonismo internacional que o Brasil desempenhou em diversos aspectos mundiais, por conta da visão global de Lula e de Celso Amorim.

Esses paradoxos começam a fazer sentido só agora, já que só à distância é que conseguimos entender a História. Vejamos. Capitalismo de Estado americano contra comunismo soviético, este sai derrotado e aquele se fortalece (nasce, para alguns, o chamado neoliberalismo, que só será mais atingido com a crise financeira de 2008); caso não tenha sido mais uma farsa para motivar mais guerra e dinheiro e cobiça pelo petróleo alheio (como os próprios americanos desconfiam), o 11 de setembro alertou que o imperialismo norte-americano não está nunca em paz, que, passada a “ameaça comunista”, havia agora a “ameaça terrorista”. Ao mesmo tempo, neste nosso imenso país continental da América Latina, passadas as décadas da ditadura militar, que teve apoio explícito dos Estados Unidos pós-Kennedy e da própria elite brasileira, muita gente progressista e da esquerda (extremista ou não) que lutou contra ela, agora, finalmente, tinha chegado ao poder do Brasil.

Logicamente, eu não sabia de nada disso.

Eu tinha 8 anos e, além das imagens intermináveis de torres, fumaça, fogo e desesperados pedestres em todas as televisões, consigo lembrar (jamais esquecerei) o que me disse uma amiga, muito mais velha do que eu – que era uma segunda mãe para mim naquela época da minha infância -, possivelmente como resposta para alguma pergunta minha da qual não recordo (eu era muito curioso e inteligente), numa forma, talvez, de retratar simplesmente o fundamentalismo para uma criança:

– Aqueles que fizeram isso acreditam mais em Deus do que todos nós.

Comments

  • E em toda parte há os fanáticos religiosos.O próprio Bolsonaro tem um lado fundamentalista(apesar que ali,tá mais pra oportunista mesmo),e acabou sendo ”vítima” de um lunático,que também acredita demais em Deus.

    Ademar Amancio 20 de setembro de 2018

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