uma proesia: não sei o que eu quero, mas ah, sei bem o que eu não quero…

evito festas e multidões, as festas me broxam, as multidões me aterrorizam e me broxam, nada como duelo ou duo, nada como um encontro selecionado a dois, gêmeos, ambos, basta isto para somar e se criar a síntese de uma vida, arte e filosofia e nada mais, recluso e disponível para poucos, coroado quem sabe de afagos inauditos, a contemplação tesa fremente e eu compungido de amor e olhar cúmplice, trancados num código aberto mas tácito feito prazer e castigo, aconchegâncias, querências, adjacências, intumescências, desejáveis hedonistas agora recompensados, ilhas que se fundiram feito arquipélago num mar candente, depois repito o script, depois tranquila solidão que não passa duma puta liberdade, depois terrível insulamento, que sofrimento em meio a mediocridades, poderios, a força da grana, os limites da fímbria, a poesia como simples papel a ser amassado ou guardado na gaveta, as futilidades e superficialidades, trabalhadores de merda, elites de merda, conservadores de merda, milhares de alienados e anestesiados, os papos efêmeros que não me tocam nem transformam, a vida prática, tudo arredores para a minha visceralidade, que fascinante língua a minha, idiomatização superior que poucos falam, sintaxe própria, sou libertário e alternativo, pairo acima ou bem abaixo, destoo, que crise a minha, ancorado em mim mesmo e sem qualquer chave, pássaro tonto que alçou vôo sem asa, misterioso barco apartando-se do porto à noite no oceano escuro e profundo à noite num desvio de rota sem tempestade ou imprevisto onde se sabe que vai encalhar, tudo então é pretexto solar para juntar outras forças internas e não ser enterrado pelas areias da praia, não sei o que quero, não sei o que eu quero, mas ah, sei bem o que eu não quero…

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