Subverter o capitalismo através do tempo de Kairós

Em qual tempo você vive?… No tempo inventado, convencional de Cronos ou no grandioso tempo de #Kairós ? A maior subversão contra o capitalismo e seu tempo cronológico, líquido, efêmero, banalizado, insatisfatório, é alargar um instante a ponto de transformá-lo num momento que possa preencher nossas ânsias mais profundas; sagrar cada instante; deixar o tempo agir em nós ao invés de se viver na sucessão insatisfatória de acontecimentos, informações, afazares, relações, atos. Deixar o tempo agir em nós… Não é tão simples, não vão te deixar; é subversivo e libertário demais. Além do mais, requer um esforço absoluto que reconfigure totalmente nosso próprio círculo vicioso. Sem pensar necessariamente nos resultados e nas recompensas prometidas ou perdidas; habitar cada vez mais essa zona potente em si e subversiva, paralela às demandas e obrigações impostas, introjetadas pelos sistemas que nos capturam em vidas funcionais, acomodadas, insatisfeitas e mal-tratadas do ponto de vista existencial; destoar, experimentar, atuar, arriscar e curtir criativamente o processo da nossa vida, inteiro, como um ovo ou uma criança ou um animal que, no prazer intenso e preciso, se esquece do tempo – se esquece mesmo ou vive ele de fato?; reencontrar constantemente o que já é imanente, próximo, intrínseco, inato, que jamais estará de verdade nas promessas idealizadas dos elementos e modelos publicitários, consumistas, sociais; e reencontrar o aqui-agora: o eterno e infinito aqui-agora, onde somos efetuadores criativos. Acho que não viemos fazer outra coisa nesse planeta, visto que somos mais do que identidades ou individualidades: somos (d)obras de espaço-tempo.

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