Ditadura evangélica: Teocracia!

Ditadura evangélica! Querem transformar o país numa TEOCRACIA! Querem controlar tudo, seu sexo, seu comportamento, o que pode fazer, o que não pode fazer, segundo uma ideia inventada de “pecado” e segundo o “deus” deles (em minúsculo mesmo, tamanha mesquinharia), “deus” que não é dos melhores: até o deus católico ressurge mais progressista hoje em dia em face da mentalidade neopentecostal, isto é, mentalidade fundamentalista, moralista, patriarcalista, racista, homofóbica, fascista.

Crítico aqui a canibalização do mercado musical com tantos góspeis (longe da riqueza musical negra do blues e do soul, para não falar dos sertanejos, que de música caipira já não têm mais nada), critico aqui a canibalização do horário televisivo com tantos pastores, critico aqui os programas de TV que sustentam isso paulatinamente em detrimento da diversidade estética e religiosa, critico o avanço financeiro suspeito dessas igrejas com suas teologias prósperas, critico o não pagamento de tributos e impostos, mas sobretudo critico e denuncio aqueles que, instrumentando-se do Estado supostamente laico, desenvolvem uma agenda que visa legislar e controlar até mesmo a intimidade de todo e qualquer brasileiro e ser humano.

Para os livres-pensadores, todas as religiões operam em maior ou menor grau no cerceamento do ser, no cerceamento de sua potência e libertação. O que dizer então daquelas que pretendem operar a nível nacional, mundial, mesmo naqueles que possuem outra orientação religiosa ou nenhuma orientação? Teocracia.

A bancada evangélica, que só existe por causa das brechas corruptas do ultrapassado sistema político brasileiro e também por ludibriar, através de promessas e através de uma suposta fé, o povo eleitor carente e sempre à margem nos assuntos civis, políticos e sociais do país, é símbolo do atraso histórico, ético, democrático e político.

O “dízimo”, na verdade, esconde por trás uma velha problemática mais urgente da realidade brasileira; não é apenas questão pessoal de fé ou de religião, mas sobretudo esperança e promessa explícitas de salvação da miséria e das dificuldades materiais e financeiras praticamente abandonadas durante séculos pelo poder público e privado, revelando, portanto, que o Brasil precisa ainda solucionar de vez a questão de renda, de moradia, de pobreza, de injustiça, e investir na formação e na educação do indivíduo.

Essa relação dá margem, no entanto, a figuras deprimentes e retrógradas, sustenta seus discursos, mesmo que o chamado “fiel” queira tão somente, na verdade, resolver seus próprios problemas econômicos e espirituais.

Assim como a “bancada do boi” (ruralistas da injustiça, da concentração, da centralização) e a “bancada da bala” (extremistas da direita do discurso manipulador da “segurança nacional”), a “bancada da bíblia” também ganhou força no Brasil pós-farsa do impeachment, como era de se esperar. Como numa ditadura descarada, derrubaram um governo e assumiram o poder sem qualquer diálogo com a sociedade.

Não há desprezo suficiente para fundamentalistas; dada a biodiversidade do brasileiro e do Homem, dada a multiplicidade das identidades nacionais e mundiais, são automaticamente FRACASSADOS em suas irrisórias tentativas ideologicamente monolíticas e monológicas, autoritárias, mesmo que queiram usar a força da lei ou do Estado.

Esse é o perigo — usar a força da lei e do Estado, para fins insustentáveis no plano da múltipla e diversa liberdade coletiva e individual, na tarefa de silenciar, censurar, denunciar a expressão e a liberdade, na tarefa de diminuir, perseguir, tática fascista.

O Senado, como sabemos, costuma engavetar ou não dar vazão às movimentações absurdas dessa parcela fundamentalista do Congresso, quando eles conseguem levar um projeto do tipo à frente, mas elas devem também ser combatidas de frente através dos valores democráticos, para que essas atuações sejam absolutamente reordenadas e substituídas em projetos e agendas mais positivas e realmente primordiais, num sentido amplo e coletivo de avanço social, a favor da extinção da miséria e da ampliação de direitos, por exemplo.

Reordenação, substituição, de quadro, já!

Como? Na rua, no texto, na crítica, no debate, mas não só. A juventude progressista deve entrar em peso na política estrito senso com seus próprios projetos bem formulados. Cada vez mais. Querer governar. Se candidatar. A favor de conquistas de transformação paralelas aos interesses mesquinhos de evangelo-fascistas, ruralistas, reacionários e conservadores.

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