PSICOPATIA E POLÍTICA: DIFERENÇA ENTRE LULA/DILMA E CUNHA/TEMER. QUEM É PSICOPATA E QUEM NÃO É. DIFERENÇA ENTRE O CRIMINOSO E O CRIMINOSO PSICOPATA.

PSICOPATIA E POLÍTICA

A política scricto sensu mundial está cheia de psicopatas. A política brasileira também. Nos altos poderes, lá estão eles. Aliás, estão em todas as áreas da sociedade, apesar de tão pouca gente perceber ou ter informação suficiente a respeito. Não são apenas “bandidos safados”, como o senso comum pensa, embora esses também existam. Mas os psicopatas criminosos, como todos os psicopatas, vivem dentro de uma bolha intocável, são indolentes, ardilosos e irredutíveis, calculistas, completamente distanciados.

Cunha, por exemplo, tem toda a conformação visível de um psicopata: e, como o bom e velho psicopata, ele mesmo não tem qualquer problema em afirmar, como já afirmou, que é frio. Que permaneça sempre atrás das grades. Temer, com sua postura desprezível de quem não se abala nunca, com seu talento para conspirar e barganhar, não me engana, também parece um psicopata. Pior: um fantasma psicopata caretíssimo saído do século 19 ou mesmo do 18, com ares arcaístas e antiquados de oligarca e senhor de escravo. Não à toa, chamam ele de “vampirão”. Símbolo concreto do atraso. Presença indesejável. E, com as provas flagrantes que nos foram jogadas na cara, já era hora de também estar preso.

É por isso que, enquanto estudava a psicopatia semanas atrás, no momento mesmo em que sempre escrevi e me posicionei e opinei sobre a política stricto sensu, comecei a me perguntar como distinguir um ladrão, um corrupto, enfim, um criminoso de um criminoso psicopata.

Porque me choca – como deve chocar a maior parte de vocês, a menos que também sejam psicopatas (rs) – imaginar que um empresário ou um político, principalmente um político velho, isto é, com a vida já “ganha”, ainda assim roubem milhões durante décadas e utilizem o Estado, que é instrumento tão bacana de transformação coletiva, para ludibriar e para fins baixos e mesquinhos, sendo que não vão levar nada no caixão, enquanto que poderiam deixar legado perene e positivo na política e na sociedade.

Nada disso passa pela reflexão da triste condição psicopata, aprisionada por nortes superficiais.

Nos choca porque não somos psicopatas. Temos alguma noção do absurdo. E a questão não é moral (dispensável), mas ética (primordial).

Diante dessas minhas questões, dias atrás esbarrei “sem querer” numa reportagem da TV Cultura mostrando que estudos recentes, no mundo todo, comprovam que o poder – qualquer situação de poder, inclusive (e sobretudo?) da política scricto sensu – é capaz de reduzir consideravelmente os níveis de empatia das pessoas, de todos nós. E, como muitos de vocês devem saber, é justamente a empatia que distingue as pessoas dos psicopatas…

Como então distinguir o corrupto do psicopata corrupto?

Como saber até onde é vício de poder, olho grande, índole, influência do sistema, ou psicopatia?

Acho que hoje encontrei alguma resposta, ao ler texto de março escrito por Fábio de Oliveira Ribeiro, onde diferencia o modo como Temer e Lula agem diante da justiça. Ribeiro diz que o criminoso é capaz de aceitar as consequências dos seus atos, porque, como Dostoiévski nos mostra no romance Crime e Castigo, o criminoso quer ser pego. (Eu acrescentaria que o criminoso “comum”, ao menos, quando não confessa nem se entrega, foge, porque sabe que errou, por próprio instinto de sobrevivência, enquanto que o psicopata criminoso é firme na sua convicção e nos seus meios, nas suas “cartas na manga”.) E então, defendendo Lula, diz que este tenta sempre invocar a Lei, como fez ao recorrer ao Tribunal de Direitos Humanos da ONU, por exemplo, em vez de partir para artimanhas, como Temer faz com a maior desfaçatez.

Lembremos também que, agora condenado, Lula, entre resignado e incansável, não faz outra coisa senão recorrer aos próprios advogados e a outras instâncias de direito, enquanto que ainda tem fome de governar e disputar eleições livres e diretas. Não parece haver nele traços dúbios para criar artimanhas e se safar. Dilma, quando o barco estava afundando, recorreu aos movimentos populares – coisa que já deveria ter feito há muito tempo, mas também não consta que tenha agido de forma rasteira pelos corredores e bastidores de Brasília como Cunha ou Temer. Ao contrário, dizia insistentemente que iria lutar até o fim.

Lula seria então um criminoso criminoso? Para Ribeiro, não, ao escrever que há inconsistência de provas materiais concretas, coisa que os próprios acusadores de Lula também afirmam diversas vezes, fazendo tudo ficar vergonhoso ou ainda mais confuso para nós, que só assistimos. Foi assim que cheguei à seguinte conclusão, que muitos também chegaram: ou Lula é mestre em ocultar provas (suposição que só existe por conta de uma acusação frágil) ou é inocente e perseguido por motivos eleitorais e políticos, já que tem uma puta força e é a única liderança mais progressista do país. Não tem meio termo. Ou é uma coisa ou outra. A delação contra ele era premiada, mudou de discurso por orientação dos advogados do delator. Ninguém apresentou um extrato, uma assinatura, uma prova. Seletivos e parciais, as revistas e os jornais contra ele usam do sensacionalismo e da alienação inúmeras vezes, enquanto criam capas ridículas de propaganda barata e apoio a seus rivais. Por esses motivos, tenho muito cuidado ao escrever sobre Lula e dificuldade em criar um julgamento direto. Seus inimigos me parecem dez vez mais desprezíveis do que ele. Seus detratores não convencem. Difícil botar a mão no fogo por quem quer que seja, no entanto. Mordido pelo poder, talvez, conivente num ou noutro assunto, pode ser, escorregadio aqui e ali, mas psicopata ele não é – é bonachão, e seu choro é sincero, e demonstra indignação e paixão, às vezes até demais e de forma incômoda. Como qualquer ser humano.

E qualquer que seja a corrupção do PT, bem investigada, denunciada, acusada, ao contrário da ineficiência quando a sigla é PSDB ou PMDB ou DEM ou etc., nenhum governo deu mais autonomia às instituições de justiça e de investigações (Procuradoria Geral, Ministério Público, Polícia Federal) do que o de Lula e Dilma – fato que vários homens dessas três áreas já assumiram publicamente; e como o próprio Sergio Moro – narciso de amizades suspeitas e com forte tendência tucana -, em suas centenas de páginas de acusação, admitiu.

Mas, em contraste com esse fato, o governo Temer vai em direção drasticamente oposta e obscurantista, nos fazendo lembrar que o psicopata, por sua vez, julga ser privilegiado, calcula meios de rejeitar qualquer punição, não volta atrás nem pondera, e há exemplos de sobra, no caso de Temer, para confirmar isso, porque basta ver como ele consegue manipular e comprar a maioria daquele Congresso, o judiciário, agradar ruralistas, agradar esse setor, aquele, não renunciar, etc. Ele de forma alguma recorre de forma limpa para provar sua inocência, não fortalece as instituições que garantem a transparência, não dá a mínima para a crise política, só cria artimanhas cada vez mais obscuras e distanciadas da população. Atua nos bastidores de forma rasteira. Vice, conspira contra uma presidente eleita – fato indignável e inacreditável no resto do mundo. (Alguém aí ainda se lembra do que ele escreveu para ela naquela famigerada carta, que sempre soube que ela desconfiava dele?!…)

Tudo isso e mais um pouco nos leva a crer que vivemos uma farsa passageira mas imunda, arquitetada por psicopatas. Não por um sentido coletivo ou de projeto nacional, para melhorar o Brasil, como alguns chegam a pensar ingenuamente, mas apenas para Temer e aqueles outros se safarem e continuarem se mantendo no poder junto a outros tantos psicopatas e também bandidos safados, apesar de toda a sua visível corrupção, obstrução da Lava Jato e desgoverno.

Comments

  • Correto,há psicopatia em vários graus,não é só aquele que mata em série.

    Ademar Amancio 15 de agosto de 2017

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