Tenho muito “ego”? Sou leonino “demais”? Sou “narcisista”? Sou “megalomaníaco”?

disseram que tenho muito “ego”, etc. outra pessoa, tempos atrás, também me chamou de megalomaníaco. e, não raro, “leonino demais”, “narcisista”…

não ter “ego” — para que? para ficar no meu canto que nem você? não, obrigado.

pessoas habitando a superficialidade e o senso comum, ainda incapazes de se deixarem contagiar pelo pensamento, pela filosofia e pela arte, onde é preciso “levantar o calcanhar” para coisas augustas, grandes demais, ou então se abaixar e mergulhar para enxergar o que há de mais escondido e subterrâneo.

é sempre uma movimentação trágica. e sem volta.

“focaram” (para usar este verbo horroroso e tão prostituído) em mim. focaram só em mim. é claro que os realmente significativos não fazem isto — preferem tratar comigo de arte e pensamento. todo o resto a meu respeito são arredores adjacentes, intermédios pelos quais contamino e me expresso, muitas vezes fascinantes, apaixonantes e charmosos…

cacoete infeliz dizer que alguém tem ego. se tenho, é imprescindível para eu me movimentar na vida. se sou narcisista, se amo demais a minha aparência, meus jeitos, minha voz falada, idem — aliás, detesto os psicologismos a respeito de narciso… gostam de dizer que sou realmente leonino! que seja! roaaarr! sou um esteta também. deixem freud (em minúsculo) de lado… estudem, ao invés de reproduzir estes clichês, Barthes, por exemplo, e a Semiótica, onde narciso não deixa de ser um pensador icônico…

não ter “ego” — para que? para ficar no meu canto que nem você? não, obrigado.

se estou falando sobre um assunto, é porque estudei sobre ele. sempre terá alguém interessado e não falo o tempo todo sobre mim mesmo em detrimento do assunto. isto, sim, seria condenável em se tratando de estudo e ensino.

agora, ego como força de movimento, de automotivação, onde sei que tenho algo de inovador, de raro ou de diferente para passar, que contamine outras pessoas e injete suas veias criativas? que puta potência positiva!

ego como criação, recriação, transcriação de mim mesmo, na aparência e nos assuntos? que autonomia!

que bom seria se todos fossem assim, investissem nisto, porque a melancolia e a apatia e a impotência do mundo atual diante de governos e políticas seriam totalmente subvertidas e transmutadas.

só considero críticas intelectuais, contrargumentações válidas; qualquer crítica exclusivamente a meu respeito pessoal — apenas, tão somente escrevendo ou dizendo, por exemplo, que tenho “muito ego”, num tom negativo — só demonstra ressentimento pessoal ou inveja — além da falta de capacidade contrargumentativa e de antítese — de quem criticou.

considerar ideias sobre as ideias. tudo o mais são superficialidades e aparências… ressentimentos pessoais, inveja e falta de brio de encarar os assuntos…

além do mais, geralmente não me conhece pessoalmente ou conhece pouco: não sabe o quão receptivo eu sou… sou um doce de coco…

sei bem por que se disse ou se escreveu isto. por ressentimento de algo que eu disse diretamente — ao invés de ter brio e ir em busca de mais conhecimento, dizendo “este filho da puta me disse algo que eu não sei, mas, se ele sabe, eu vou atrás e, se for difícil, vou ler e reler e ler e reler até conhecer”, foi preferível me atacar pagando o preço de se continuar inculto.

no mais, detesto essas palavras: humilde, humildade. que mesquinharia e rebaixamento!

isto é coisa de cristão. e eu sou cada vez mais nietzschiano: desconfio de discursos da impotência e da fraqueza. vejo vontade de potência em tudo.

de qualquer forma, escritor, vou escrevendo a respeito disto tudo rindo, numa curtição da linguagem.

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