Justiça social e a vitória e os erros do socialismo e do manifesto comunista

as polarizações tornaram-se tão ridículas, as discussões tão surdas, que não se consegue mais enxergar quanto o socialismo humanizou o capitalismo e como diversos princípios do manifesto comunista foram conquistados e hoje são usufruídos por todos nós

é opinião assertiva que li meses atrás numa entrevista com antonio candido, este exagero de intelectual, e também em entrevistas recentes com ferreira gullar (que chegou a entrar no partido comunista durante o regime militar e hoje, infelizmente, escreve textos ruins na Folha, elogiando os seus colegas do PSDB, partido que, em qualquer ranking informativo, é muito mais corrupto que o PT)

por certo, hoje a relação do trabalhador com o patrão é completamente outra, e não mais aquela obscena do capitalismo do século XIX – na época de Marx – quando as grandes fábricas pegavam criancinhas órfãs para trabalharem 12, 15 horas por dia, e qualquer operário, fosse homem, fosse mulher, passava a vida inteira dentro de uma fábrica sem qualquer direito, jornada de trabalho, aposentadoria, e sob condições desumanas, deploráveis, ganhando esmolas absurdas, enfim, sem qualquer expectativa de vida

por mais que as situações atuais de emprego não sejam as ideais, não há comparação possível entre o modo de trabalho de hoje e o daquela época

assim, é preciso, de uma vez por todas, que o homem moderno entenda que foi contra isso que Marx e seus colegas se indignaram – é preciso admitir que o socialismo, nesse aspecto, humanizou o capitalismo para sempre

é preciso entender que, nesse particular, o socialismo e o manifesto comunista mudaram o mundo, e foi através deles que hoje se pode reivindicar direitos, ter direito a férias, salário, e tudo o mais – todo o germe transformador estava ali

é lógica simples que candidatas fracas como Luciana Genro do PSOL não conseguem responder quando associam socialismo com Stalin ou outros tiranos assassinos

aliás, como todo manifesto, ou como todo ismo, também teve seus defeitos: o pior foi tratar de maneira maniqueísta as figuras do patrão e do trabalhador – a economia, dessa forma, é tirada da mão de empresários e entregue a meia dúzia de burocratas que não sabem nada de economia, mas sim de ideologia (o resultado só poderia mesmo ser o fracasso da imponente União Soviética)

sem dúvidas, tal abordagem abriu todo o espaço para o conhecido autoritarismo dos regimes comunistas – sem razão, no entanto, os que batem tão somente nessa tecla ficam sem respostas quando dizemos que as democracias inquestionáveis atuais são também tiranas, assassinas, e ditatoriais em diversos sentidos

de qualquer forma, reduzir Marx, reduzir o socialismo e reduzir o manifesto comunista às barbáries reais de tiranos como Stalin, pensar que seguidores de Che Guevara irão tomar o poder, é loucura insana de quem não estudou história, ou opinião energúmena, ou ainda desculpa demagógica para atrair incautos

numa época de capitalismo global, ainda mais dentro de um país como o Brasil – onde é impensável pensar em comunismo numa sociedade com cada vez mais iniciativas empresariais – não há qualquer espaço para que isso se torne realidade

a crença era ainda mais absurda durante o regime militar – como a luta armada, que era constituída por grupos pequenos, se comparados com todas as polícias, com o exército, com a aeronáutica e a marinha, poderia triunfar?!

mesmo a antiga União Soviética, que sempre pareceu absurdamente imponente, teve que se adequar às condições do novo tempo atual, e até mesmo Cuba não é a mesma de décadas atrás – alguns produtos que antes não poderiam entrar no país, como carros importados, já podem ser encontrados, e o recente estreitamente de laços com os Estados Unidos trará ainda grandes surpresas

pergunto-me, às vezes, se todas essas ruínas não foram causadas pelo capitalismo, instaurado muitas vezes de forma vil pelas novas formas de colonização, mas essa discussão pode abranger outras áreas que não a sociologia: de uma maneira existencial e natural, o ser humano tende sempre mais para o capitalismo, para as liberdades individuais, para as iniciativas constantes

a única certeza é que o mundo tomou um rumo um tanto quanto desagradável, antipoético e o destino de todos nós se enquadrou dentro de um modelo de vida cada vez mais careta, quadrado, burocrático, e justamente por isso, numa época em que um bilionário ganhe milhões a cada segundo enquanto outro morra de fome debaixo da ponte, pensar em justiça social talvez nunca tenha feito tanto sentido.

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