Três verdades sobre Fidel e sobre Cuba

1. Numa única rua aqui de São Paulo, há mais gente vivendo em situação sub-humana do que em toda Cuba. A gente não quer ver, foge, acha normal, mas meus amigos estrangeiros ficam simplesmente chocados, indignados. Em Cuba, além de não haver mais analfabetismo, as pessoas têm teto e comida. Lembram daquele ditado? “Hoje, milhões de criancinhas dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana.” Aqui, existem centenas de políticas afirmativas que só não são ampliadas por conta do nosso conservadorismo.
2. As eleições cubanas parecem ser mais democráticas do que as eleições do Brasil e mesmo dos Estados Unidos e do resto do mundo. Primeiro: não é apenas Fidel ou Raul, há diversos outros políticos, incluindo a oposição, e mesmo eles são/foram eleitos. Estou escrevendo um artigo sobre isso de forma mais detalhada e fundamentada, mas, resumindo, trocando em miúdos, as eleições em Cuba acontecem debaixo para cima. Muita gente não sabe, mas lá existe eleição, sim. Aqui, precisa de dinheiro e quem não tem dinheiro ou tem pouco dinheiro tem menos espaço, menos oportunidade, menos tudo – é daí que surge a promiscuidade, a subserviência e a corrupção entre partidos e empresas. Talvez as novas reformas, as doações de campanha e os financiamentos coletivos mudem um pouco, mas não sei. Nos Estados Unidos, é ainda menos democrático, porque, além disso, o sistema de Colégio Eleitoral – atrasado e arcaico, do século 18, muito criticado pelos setores progressistas americanos – não garante que um candidato ganhe mesmo tendo voto da maioria popular. É um sistema eleitoral indireto, esquisito demais, atrasado. (Isso para não falarmos da atuação ditatorial daquele país no Oriente Médio e em outros lugares, nas guerras que eles constantemente investem, das ditaduras implantadas com a ajuda do governo americano, incluindo a que tivemos aqui, e, mais recentemente, de Julian Assange e Edward Snowden, dois exilados dos Estados Unidos…)
3. Antes da revolução, Havana era um bordel a céu aberto dos Estados Unidos. Cuba tem mudado desde a retirada de Fidel e vai mudar ainda mais depois de sua morte. Porém, seu legado continua. Não quero jamais dizer que Cuba é melhor ou pior. Mas contra fatos não há argumentos. Quero acordar os otimistas bobos. O mundo é pior do que você acha e te iludiram feio! Tenho também minhas reservas e críticas sobre Cuba, mas até agora só nos contaram mentiras. Cuba não é esse inferno todo que pintaram e estigmatizaram e nós, fora de Cuba, nunca, jamais vivemos de fato numa democracia plena (haja vista nossas polícias fascistas, nossos guetos, nossas injustiças, nossas misérias, no mundo todo, nossas mídias imperialistas, controladoras, os FMIs, os Bancos Mundiais, nossa autoasfixia diária, nossa subserviência cotidiana, nossos empregos massacrantes e obrigatórios, as organizações financeiras mundias anti-democráticas, as constantes restrições de direitos civis e humanos, as imposições dum grande mercado assassino, na indústria da moda, da cultura, da arte, da economia). Acorde, desconfie, estude, saia da bolha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *