A política por trás do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro

Metáfora de um Rio (e de um Brasil) em colapso e decadência.

Destruída a “Luzia”, primeiro fóssil de humano descoberto no Brasil, destruído o Dinoprata, primeiro dinossauro de grande porte montado no Brasil, destruídos milhares de itens de grande valor histórico e científico, destruída a bela arquitetura de dois séculos… Que as investigações e os esforços sigam firmes.

Para aqueles que dizem que aquela construção não passa de sede da Casa Grande imperialista e escravista, que já foi tarde, apesar de todo seu importante acervo não-eurocentrista, me abstenho desta discussão (nenhuma estória ou história deve ser apagada, sob pena de se repetir), e digo: vejam o incêndio como um símbolo de uma problemática nacional muito maior, e que precisa ser revertida nestas eleições!

Vi, em gráficos públicos disponíveis e disseminados pelas redes sociais, que o orçamento do museu despencou de cerca de 540 mil reais, em 2013, para cerca de 50 mil em 2018. Ressalta-se que não só para o museu; ele apenas é um símbolo de toda a tragédia da política de austeridade da PEC dos Gatos e do descaso golpista dos governos federal, municipal, estadual nestes últimos anos.

Já em 2015 e 2016, conforme fora amplamente noticiado pela grande imprensa, o museu começou a enfrentar sérios problemas, fechou, voltou, ameaçou fechar – vejam a imagem que reproduzo logo abaixo, com chamadas dos grandes jornais a partir deste ano, que fazem, não sem razão, muitos, sobretudo os mais próximos do museu, dizerem – qualquer que tenha sido a causa do acidente ou propósito – que esta tragédia era anunciada.

Sintomático começar em 2015 e incendiar em 2018, pois marca uma fase; ano difícil aquele, Brasil em convulsão social, ingovernável, por causa de certos setores desprezíveis que não aceitaram o resultado da eleição presidencial de 2014, o centrão temerista já articulando impeachment junto à mídia e ao PSDB e, para piorar, o governo Dilma tentando inserir o projeto inapropriado de Joaquim Levy. O próprio Rio, em sua particular decadência secular desde que deixou de ser Corte, com seus desgovernantes sucessivos, corruptos e incompetentes, também sofria com cortes públicos gerais e descalabro social generalizado. Não fosse o louvável esforço da UFRJ e de outros, o museu poderia ter encerrado as atividades ali. Encerrou agora – como encerra o desgoverno Temer -, em circunstâncias irremediáveis. (Voltará o museu, mas o seu futuro não será mais o mesmo sem os milhões de itens.)

Considerando que este museu, como vários outros, necessitava de verba urgente para preservação e restauro (tendo, inclusive, que recorrer recentemente a uma vaquinha virtual para reabrir uma de suas salas – não há outra palavra que caracterize isto senão VERGONHA!), e que, mais ainda, a própria Educação, Ciência, Tecnologia e Cultura brasileiras pós-golpeachment de 2016 sofreram considerável redução de investimento no orçamento público, tão farto e tão dócil aos bancos e às oligarquias (vide Audiência Pública Cidadã), contra o descaso e a criminosa falta de investimentos, SE FAZ URGENTE neste ano de 2018 votar no presidente e nos deputados que vão revogar o congelamento de gastos do desgoverno MDB+PSDB, naqueles que não se rendem às promessas neoliberalóides que se arvoram no Estado para vender seus patrimônios a poucos, nem à política de bruta austeridade, naqueles, enfim, que defendem e apoiam consideravelmente a educação, a ciência, a tecnologia e a cultura e suas enormes importâncias sociais, econômicas, políticas e humanas neste grande país.

(Seguidores do meu canal no YouTube me pediram um vídeo sobre o ocorrido e eu fiz: https://youtu.be/PVo1oYcYrKs)

Histórico amplamente divulgado pelas redes sociais.

Histórico amplamente divulgado pelas redes sociais e jornais.

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