Comentários sobre o debate Ferreira Gullar x Augusto de Campos

3) NÃO ME VENDO / NÃO SE VENDA / NÃO SE VENDE. Tréplica do Augusto de Campos pro Ferreira Gullar, pondo fim ao debate. Se engana quem pensa que isso é assunto de dois velhos; a minha geração se beneficia do debate, porque também é debate artístico e político, minha geração precisa resolver essas querelas, ou EU PRECISO RESOLVÊ-LAS, porque detesto minha geração e sinto-me cada vez mais solitário; não é assunto só deles, é assunto de qualquer um, porque envolve ESCOLHA POÉTICA, POLÍTICA, EXISTENCIAL, MORAL. Além dos seus estudos e das suas traduções IMPORTANTÍSSIMAS, solitariamente ou junto com Haroldo, Décio e outros (como o recém falecido Boris Schnaiderman), convertendo pela primeira vez uma pletora obrigatória de livros, sacodindo de vez o panorama brasileiro desolador do pensar literário e da cultura dos anos 50 adiante, sempre me espantou a convicção poética de Augusto: dentro de suas preocupações estruturais particulares, jamais voltou pra trás nesses anos todos, sempre seguiu em frente, não fez concessões para agradar leitores ou lançar livros comerciais de fácil digestão ou com padrões tradicionalmente assimilados: a Poesia Concreta, de todas as vanguardas do século XX, quiçá seja a única cuja utopia é vencedora, porque (re)encontrou seus sentidos nas novas tecnologias, e aos 85 anos ele faz uma poesia do agora, do amanhã, do futuro, enquanto eu, aos quase 23, chovo no molhado rançoso, chegando aos ombros, às vezes, para enxergar mais longe como Newton; os mestres concretistas de São Paulo são vencedores, alargaram o repertório de todas as gerações posteriores, tornaram difícil fazer poesia, trouxeram novos caminhos e horizontes para o verso, para a arte e para a crítica; e agora, como se não bastasse, me espantou também sua convicção política, sua convicção de caráter diante do golpe e dos eventos políticos recentes! Ainda por cima denunciou o antro careta da ABL – parece ter tirado palavras da minha boca… Não se vendeu na vida, não se vendeu na arte. É grande, é ENORME, o Augusto. Queria muito ir conhecê-lo pessoalmente, acho que mora perto de mim na Pompéia, mas geralmente os velhos poetas não querem saber dos novos – ele próprio disse isso numa entrevista de 2014 que subi meses atrás pro meu canal do Youtube. De qualquer forma, preciso desesperadamente escrever um ensaio sobre o véio, colocar de forma mais cavada tudo isso que coloquei aqui… Leiam:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/07/1787739-um-necordeiro-superconcreto-e-um-expremio.shtml

2) Gullar responde Augusto de volta. Um “imortal” da ABL ganha cerca de 30 mil por mês, além de vários outros privilégios – e Gullar ainda se gaba disso como o pior dos vendidos. É claro que aquele antro nepotista caretíssimo não contribui em nada para a cultura brasileira. A ABL é apenas um dos resquícios de um Rio decadente e ultrapassado, é um conluio de mentalidades atrasadas na arte e na vida. Viva Haroldo, Décio, Augusto, e outros cujo valor – em poesia, estudos e traduções – está acima de qualquer grana e pompa… Ninguém senão eles de fato tornou difícil produzir poesia no Brasil, abrindo novos caminhos, ainda a influenciar minha geração, marcando para sempre a literatura nacional. A questão não são os méritos poéticos incontestáveis de Gullar, mas suas atitudes suspeitas e o debate importantíssimo e corajoso que os mestres concretistas promovem.
http://folha.com/no1785376

1) Artigo de Augusto de Campos rebatendo o politiqueiro Ferreira Gullar – apesar de alguns bons momentos poéticos do seu passado – é uma aula sobre o resgate concretista de Oswald de Andrade, mas sobretudo um alívio em saber que temos um homem de gênio lúcido diante do golpe e em meio a tanta alienação e tanto conservadorismo do momento político atual. Viva os poetas paulistas/concretistas.
http://folha.com/no1781738

Comments

  • Aqui você reconhece o valor poético de Gullar.O Augusto de Campos é mais radical.Eu prefiro não opinar sobre poesia,apesar de adorar,conheço pouco.

    Ademar Amancio 11 de outubro de 2016
  • Você fala de seu conflito geracional,realmente,você escreve como se tivesse mais de cinquenta anos,e não apenas vinte e pouquíssimos.

    Ademar Amancio 11 de outubro de 2016
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    Johna322 25 de outubro de 2016

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