O sorriso, por Fernando Graça

O sorriso é, na verdade, poderoso. Quando sincero, é claro. Mas basta lembrar porque durante toda a Idade Média se criou uma demonização do sorriso (um Jesus sempre carrancudo, um Deus terrível) e porque as figuras de Leonardo Da Vinci sempre se permitiam sorrir mesmo que timidamente: o gênio renascentista estava na verdade retomando algo que havia sido proibido há séculos. Não sei se já escreveram sobre isso, mas é assim que encaro seus sorrisos. Só sei que o livro O Nome da Rosa do Umberto Eco mostra muito bem como o pensamento cristão medieval via no riso uma arma poderosíssima contra a crença religiosa porque, como diz o personagem Venerável Jorge, inspirado no Jorge Luis Borges, o riso destrói a certeza e a pessoa que ri não acredita nem desacredita. Isso não passa de Filosofia.

Escrito por FERNANDO GRAÇA em 22 nov, 2015

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