Rostinhos bonitinhos, corpos gostosos, e cultura

Porque a minha edição d’O Retrato de Dorian Gray é antiga, com páginas envelhecidas e desfiguradas, que rasgam com facilidade impressionante (basta folheá-las para que isso aconteça), não quero ir consultar, mas lembro, das repetidas leituras que empreendi na pré-adolescência e na adolescência, da página em que Oscar Wilde, pela boca do cínico Lorde Henry, diz para o belo e jovem Gray, não exatamente com essas palavras: faça uma visita na academia (não a de ginástica!), os homens cultos são gordos, feios, calvos, sem ‘atraência’ (perdoem o neologismo), melhor cultivar a beleza ou a ingenuidade. Ora, escrevo isso porque tenho pensado justamente nesse tema; que paraíso seria encontrar corpinhos gostosos e rostinhos bonitos que fossem também cultos, isto é, de forte posicionamento crítico e atitude intelectual; de erudição mesmo, de fala bem estruturada, acima da mediocridade atual, se é que isso é possível hoje em dia, onde o tempo é mais do que líquido e as pessoas precisam ganhar dinheiro. Existem, claro, mas são muito difíceis de se encontrar. Do contrário, resta a beleza efêmera ou a atração sexual que dura só por pouco tempo, sem estrutura ou estofo, ou a quase decrepitude culta, da qual corro como o diabo da cruz!… A solução disso está – que novidade! – nos gregos, sempre eles, não os atuais, coitados, mas os antigos, antes de Cristo, que, a partir de sua Paidéia, cultivavam e incentivavam não só a beleza física do indivíduo, mas também a filosofia, a literatura, etc.

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